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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CÂMARA MUNICIPAL DE ANDRELÂNDIA COMPLETARÁ 160 ANOS DE FUNCIONAMENTO EM 2026


                Durante os períodos colonial e imperial ainda não existiam as Prefeituras em nosso país. Naqueles tempos, a administração das vilas e cidades era incumbência das Câmaras Municipais, que acumulavam as funções legislativas e executivas.

                Os presidentes das Câmaras eram os responsáveis pela função executiva, o que hoje  é atribuição dos prefeitos municipais.

                No ano de 1864, por força da  lei provincial nº 1191, de 27 de julho,  a vizinha Vila de Rio Preto (onde houve um brutal crime decorrente do enfrentamento de conservadores e liberais, gerando retaliações por parte das autoridades da Província) teve sua sede transferida para o Arraial do Turvo (antigo nome de nossa cidade).

                Contudo, a efetiva instalação da  Vila ficou condicionada à construção, pelos moradores, da Casa de Câmara e Cadeia, com toda a segurança necessária. Esse prédio era essencial para viabilizar o funcionamento dos órgãos administrativos, legislativos e judiciários, que permaneceram funcionando em Rio Preto.

                 A construção teve início em dezembro de 1864, sendo capitaneada pelos cidadãos Antônio Belfort de Arantes (futuro Barão do Cabo Verde), seu filho Antônio Belfort Ribeiro de Arantes (futuro Visconde de Arantes) e João Gualberto de Carvalho (futuro Barão do Cajurú).

Sobrado da Câmara e Cadeia de Andrelândia, lamentavelmente

demolido na década de 1940

Já em 27 de julho de 1866 o jornal Diário de Minas, de Ouro Preto, noticiou que o Dr.  Luiz Carlos Rocha, Juiz de Direito da Comarca de Paraibuna (com sede em Juiz de Fora), esteve no Turvo com a finalidade de verificar as condições da Casa de Câmara e Cadeia, que foi julgada excelente e considerada a terceira melhor da Província e a melhor da Comarca do Paraibuna. Assim, a Vila Bela do Turvo já poderia ser instalada em sua sede.

  




Em 04 de agosto do mesmo ano o Presidente da Província encaminhou ofício à Câmara de Rio Preto determinando a imediata transferência da vila para o Turvo, conforme previa a lei de 1864, sendo a ordem publicada no Diário de Minas de 29 de agosto de 1866.

 




Contudo, a Câmara do Rio Preto procrastinou, ao máximo, o cumprimento da ordem, havendo necessidade do Presidente da Província ameaçar  se valer da lei criminal do Império para punir os responsáveis.

Finalmente, em 20 de outubro de 1866, foi solenemente instalada a Vila Bela do Turvo e, no dia seguinte, prestou juramento e tomou posse o seu primeiro servidor: o porteiro Francisco João Pereira.

A Câmara ainda era composta pelos antigos vereadores de Rio Preto, figurando como seu Presidente o farmacêutico Mariano Pereira da Silva Gomes,  além de Antônio José Gomes, José Gomes de Oliveira Lima, José Felipe dos Santos, Maximiano Rodrigues da Costa Bastos, Francisco Antônio Duarte da Silveira, Francisco Vieira Valente e o Barão de São José.

Mariano Pereira da Silva Gomes

Primeiro Presidente da Câmara Municipal da Vila Bela do Turvo

Assim, no dia 20 de outubro do corrente ano, poderão ser comemorados os 160 anos de efetivo funcionamento da Câmara Municipal de Andrelândia.

Viva a Terra de André !

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

EQUIPE DO NPA LOCALIZA E REGISTRA VESTÍGIOS DO CAMINHO DO COMÉRCIO EM ANDRELÂNDIA

 

DESCOBERTA - No dia 05 de janeiro de 2026 uma equipe do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande localizou dois sítios arqueológicos históricos que guardam vestígios do antigo Caminho do Comércio, rota oficial aberta a partir de 1811 que ligava São João del-Rei ao Rio de Janeiro e era utilizada, sobretudo, para o abastecimento  de alimentos da Corte.

Os vestígios foram encontrados na região da Ponte da Barra, a cerca de 10 km da sede do município de Andrelândia.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO - O primeiro sítio é composto por um trecho de cento e sessenta metros do leito do Caminho do Comércio, com aproximadamente dois metros e meio de largura. Na lateral do caminho há um barranco (cava) reforçado com arrimo de pedra seca, que servia como contenção para proteção da estrada.

Os valos, barrancos e muros laterais tinham a função de evitar que os bois e porcos que eram levados para o Rio de Janeiro saíssem do caminho.

O segundo sítio é composto pelos vestígios de uma antiga ponte existente sobre o córrego. Existem os vestígios dos dois encabeçamentos (bases de sustentação laterais) da ponte construídos com grandes blocos de pedra. As bases têm cerca de dois metros e meio de altura e três metros e meio de largura.

Homem andando na terra perto de árvores

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Homem na floresta

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Floresta com árvores

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REGISTRO E PROTEÇÃO  - O Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande fez as medições, obteve as coordenadas geográficas e está elaborando as fichas de inventário das estruturas, para possibilitar as medidas de proteção.

Os sítios possuem potencial turístico e a sua visitação pode ser mais um atrativo cultural para o município.

A Prefeitura Municipal de Andrelândia já foi comunicada sobre os achados.

Compuseram a equipe do NPA: Gilberto Pires de Azevedo, José Marcos Alves Salgado, Marcos Paulo de Souza Miranda e Pedro José de Araújo Salgado.

 

40 ANOS DE ATIVIDADES – A descoberta dos vestígios do Caminho do Comércio é a primeira atividade do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande no ano de 2026, ocasião em que o NPA comemora os quarenta anos de sua fundação.

Fundado em 1986, o NPA é uma das mais antigas associações civis de proteção do patrimônio arqueológico existentes no país.