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terça-feira, 24 de outubro de 2017

HISTÓRIA DA PRODUÇÃO DE QUEIJOS EM ANDRELÂNDIA





O queijo é um dos produtos mais característicos do Sul de Minas Gerais e está presente na história de Andrelândia desde os seus primeiros tempos.

Já no século XVIII os antigos povoadores da cidade produziam artesanalmente nas fazendas o conhecido “queijo mineiro”, confeccionado com leite de vaca, coalho de capivara e sal.

Ainda encontramos em muitas propriedades rurais do município as antigas queijeiras (mesas para moldagem e prensa) e formas de madeira que eram utilizadas no processo de produção do apreciado produto.


Queijeira e formas utilizadas na fabricação do queijo mineiro artesanal em Andrelândia


No século XIX a produção de queijo em Andrelândia e região aumentou consideravelmente em razão da alta demanda do Rio de Janeiro, para onde a Corte Portuguesa se mudou. 

Os queijos eram colocados em jacás (cestos cilíndricos de bambu) e transportados para o Rio em tropas de burros que seguiam pelo Caminho do Comércio, rota colonial que ligava o Rio de Janeiro a São João del-Rei, passando por Madre de Deus, Andrelândia, Bom Jardim, Rio Preto, Vassouras, Valença e Nova Iguaçu.



Antigamente os queijos de Andrelândia eram transportados para o Rio de Janeiro em cestos de bambu, carregados por tropas 


Em 1887 o Dr. Ernesto da Silva Braga, primeiro historiador da cidade, registrou na “Descripção da Cidade do Turvo e seu Município na Província de Minas”,  que  “está bastante desenvolvido o fabrico de queijos, os quais tem muita aceitação devido à sua excelente qualidade”.

Em 1904 os comerciantes Andrés, Antunes & Cia vendiam em Juiz de Fora o queijo creme sul-mineiro produzido por Francisco Zuquim de Figueiredo Neves no Turvo, considerado superior aos queijos do Reino.   

A partir da segunda década do século XX houve uma inovação na produção de queijos na cidade, introduzida pelos industriários turvenses José Gustavo Alves, Veridino  e Diógenes Ribeiro Salgado, que passaram a produzir queijos mais finos na Fábrica Salgado Alves, como o prato, parmesão, cobocó, lanche, entre outros, transformando Andrelândia em um dos mais importantes pólos  de laticínios de Minas Gerais.



José Gustavo Alves, Veridino e Diógenes Ribeiro Salgado (principais fabricantes de queijo de Andrelândia) com as esposas passeando no Rio de Janeiro - Década de 1930.

Eram dezenas as fábricas espalhadas pelas fazendas da cidade e da região, além de algumas na sede do município.






































A fábrica de Laticínios Salgado Alves foi das mais importantes da história de Andrelândia


Para se ter uma ideia, veja os números da produção de laticínios de Andrelândia em 1923 (Annuario Estatistico de Minas Gerais 1922 – 1925. Belo Horizonte. Imprensa Oficial. 1929. Vol. II. p. 395):


·         154.527 kg de manteiga
·         50.400 kg de queijo Cobocó
·         10.700 kg de queijo Edan
·         23.500 kg de queijo Parmeson
·         26.400 kg de queijo Prato
·         321.000 kg de queijos de outros tipos.

No ano de 1934 foi fundada em Andrelândia, na Rua da Estação,  a Fábrica de Laticínios Salgado & Cia, com capital de 130 contos de réis. O empreendimento contava com fábricas situadas ainda nas localidades de Rabelo, São Bento, Cruzeiro, Boa  Vista e Ibertioga. Produzia-se manteiga e queijos creme, prato e cobocó das marcas Botafogo, Corcovado, Riachuelo, Aymoré e Humaitá. Eram sócios da Fábrica de Laticínios Salgado & Cia., dentre outros, Gabriel Ribeiro Salgado e José Tibúrcio Salgado




Foram muitas as fábricas de queijos finos que operaram em Andrelândia durante o século XX


A produção destinava-se, sobretudo, às grandes capitais, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, e, durante bom tempo, a ferrovia foi utilizada como meio de escoamento dos produtos.

A partir da década de 1970 as fábricas andrelandenses de queijos diminuíram em quantidade.

Atualmente, dois grandes e bons laticínios industriais operam na cidade produzindo queijos de ótima qualidade: Rosena e Yema.

Enfim, se o queijo é uma das marcas da identidade de Minas Gerais, Andrelândia pode se orgulhar de contribuir, há mais de três séculos, para essa característica e boa fama do nosso Estado.



Conheça, experimente e divulgue os queijos de nossa cidade !

Se quiser saber mais detalhes sobre o assunto, conheça o livro abaixo.

domingo, 1 de outubro de 2017

HISTÓRIA DA IGREJA DO ROSÁRIO DE ANDRELÂNDIA


A Igreja do Rosário de Andrelândia é, sem dúvida, um dos principais patrimônios de nossa querida cidade. E tem uma história muito interessante...


Tudo teve início no ano de 1816, quando “os homens pretos libertos e captivos moradores na Aplicação da Capella de N. Snrª do Porto do Arrayal do Turvo” dirigiram a Dom João VI, então Príncipe Regente do Brasil, um pedido de autorização para a construção de um templo  no alto do morro “no lugar antes de chegar à ponte”, em terreno que haviam doado pela pessoa de Lourenço Gonçalves.

Pretendiam os requerentes a construção de uma Capela com três altares, onde seriam colocadas as imagens da padroeira Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e de Santa Efigênia, santos de devoção particular dos negros.

Em 30 de maio  de 1817 Dom João  concedeu a autorização para que pudessem construir o templo, cujas obras foram muito lentas em decorrência da falta de recursos financeiros dos escravos e também da falta de tempo para trabalharem na edificação, uma vez que somente depois de cumpridas as tarefas diárias é que os homens cativos podiam se dedicar à sua construção.



No ano de 1825 os Irmãos da Capela de  Nossa Senhora do Rosário do Arraial do Turvo elaboraram o Compromisso da Irmandade, que foi aprovado no ano de 1830. A associação tinha por objetivo angariar esmolas para a construção e melhorias do templo, além de organizar procissões, festas e a tradicional coroação de reis e rainhas da Irmandade.





O tenente Manoel Teixeira Marinho, falecido em Madre de Deus aos 15 de março de 1834 legou, em testamento, cinquenta mil réis para as obras da Capela de Nossa Senhora do Rosário, o que comprova que os escravos também recebiam auxílio financeiro de seus senhores para a construção do templo.


Estima-se  que os trabalhos de construção e acabamento da Igreja do Rosário tenham durado mais de oitenta anos. Sabe-se que o altar-mor, por exemplo, foi concluído em 1896, sendo obra do artífice Manoel Gonçalves Ferreira.
            A respeito desta Igreja, eis o que noticiou o periódico local "O Amigo do Povo", em sua edição de 08 de julho de 1906:

"A devoção de Nossa Senhora do Rosário nas pessoas de seus membros abaixo assignados, vem fazer um appelo aos devotos d'aquella Nossa Senhora, afim de que se possa angariar donativos para a grande reforma que vae ser intentada pela mesma devoção na Capella de N.S. do Rosário que, após os grandes temporaes cahidos no começo deste calamitoso anno, se acha em lamentavel estado e necessitando desses urgentes concertos. Os concertos a se realizarem montam em uma soma superior à que existe nos cofres da devoção e, sem o auxílio dos devotos, para cuja caridade appellamos, impossivel será se effectuarem aquelles trabalhos, sem os quaes caminha a elegante capella para uma ruína certa. Os abaixo assignados vão distribuir listas entre os negociantes desta cidade e alguns devotos das circunvizinhanças, afim de facilitar o angariamento das espórtulas e desde já vão antecipando os seus maiores agradecimentos a todos aqueles que accederem ao justo pedido. Cidade do Turvo, 03 de junho de 1906 (aa) Thesoureiro - Gustavo Ernesto Alves, Secretário - Martiniano Gonçalves Cardoso, Procurador Ernesto de Andrade Alves".

            Em julho de 2003, por iniciativa do Pe. Domingos Sávio da Silva, foi iniciada a maior e mais completa reforma pela qual o templo já passou em seus quase dois séculos de existência. As obras foram custeadas pela comunidade católica andrelandense com o auxílio da empresa FURNAS S/A. Toda a reforma foi projetada e acompanhada pelo arquiteto José Marcos Alves Salgado, que procurou preservar ao máximo a originalidade do templo e destacar a beleza de seus elementos artísticos.
            Em 05 de março de 2005 a Igreja do Rosário – marca da arquitetura colonial mineira e testemunha da devoção dos escravos a Nossa Senhora - foi entregue novamente ao povo andrelandense, que tem razões de sobra para se orgulhar da recuperação deste nosso valioso patrimônio cultural.

Se quiser saber mais detalhes sobre o assunto, conheça o livro abaixo.

http://terradeandre.blogspot.com.br/2017/02/livro-andrelandia-3500-anos-de-historia.html
 


domingo, 20 de agosto de 2017

A ANTIGA CAPELINHA DE SÃO BENEDITO



A primitiva capela de São Benedito de nossa cidade foi construída graças aos esforços de uma comissão de devotos daquele milagroso santo, composta pelos senhores Artur Felisberto de Carvalho (Artur Capitão), Pio Nunes de Azevedo, João de Matos, Otávio José Venâncio, Camilo José Pedro, Julião Ribeiro, Manoel de Matos Filho, Vítor Antônio Teixeira, Cristino Cesário, João Batista dos Santos, Sebastião Firmino Pereira, Dorval Mateus, João Moreira, Antero Arantes e srta. Benedita do Sacramento, com o auxílio de toda comunidade andrelandense e, sobretudo, do virtuoso Pe. Pedro Carvalho Ciruffo.






A Capelinha em construção - 1932








O terreno onde se edificou a capela foi adquirido pela Mitra Diocesana de Juiz de Fora em 29 de setembro de 1930. Naquele mesmo ano, as obras iniciaram-se e o templo, modesto mas sólido, foi terminado em meados de 1936.






A capelinha na década de 1960







Em 27 de setembro de 1936, com a presença do Reverendíssimo Dom Justino José de Santana, Bispo de Juiz de Fora, e dos Padres Francisco Maximiano de Oliveira, vigário de nossa paróquia, Pe. Simphônyo e Frei Benedito, da comitiva episcopal, foi solenemente benta e inaugurada a capela, sendo entregue ao culto daquele glorioso santo que foi, na sua luminosa passagem pela terra, a expressão mais ardente da caridade e humanidade.


A capelinha na década de 1980

Na década de oitenta a pequena e pitoresca capela que ficava situada bem no centro da Praça foi demolida, sendo construída, em seguida, mais aos fundos, a igreja de São Benedito, de arquitetura moderna, projetada pelo engenheiro Jéder José Assis, solenemente consagrada por Dom Antônio Carlos Mesquita, Bispo da Diocese de São João del-Rei, em 15 de outubro de 1989.



A construção da nova igreja, a exemplo do que ocorreu à antiga capelinha, foi possível graças à generosa colaboração da comunidade católica andrelandense, orientada pelo insigne pároco José Tibúrcio do Nascimento, de saudosa memória, falecido em 28 de abril de 1990 e sepultado no interior do templo por ele idealizado.


Atual Igreja de São Benedito

SAUDADES DO PADRE TIBÚRCIO



Durante os meus tempos de menino, em Andrelândia, tive o prazer de conhecer a figura do Padre José Tibúrcio do Nascimento, que assumiu a Paróquia de Nossa Senhora do Porto em 1978, vindo de São Miguel do Cajuru. Ele era natural de Madre de Deus de Minas, onde nasceu em 1942.



Fui coroinha durante o seu Paroquiato e também foi ele quem celebrou a missa de minha primeira Comunhão, na Matriz de Andrelândia.
Sempre muito alegre, carismático e comunicativo, adorava brincar com as crianças e vivia fazendo piadas. Além disso, era um grande empreendedor, sendo ele o responsável pela construção da nova Igreja de São Benedito. 

 Partiu dele, ademais, a iniciativa da primeira restauração dos altares da Matriz Nossa Senhora do Porto, em uma das mais antigas demonstrações de preocupação com o patrimônio cultural da Paróquia.

Mas, infelizmente, seu período de permanência em Andrelândia não foi longo. 

Lembro-me bem da comoção na cidade quando de seu falecimento, pois ele era por todos muito querido.

Transcrevo abaixo parte de um texto escrito pelo Padre Jaime Salgado Pereira a respeito do tema:


"Pe. José Tibúrcio do Nascimento - Aos cinquenta minutos do dia 28 de abril de 1990, após longa e dolorosa doença, um mieloma múltiplo na medula óssea, confortado pelas orações e sacramentos da Igreja, diligentemente assistido por seus parentes, colegas e amigos, falecia, em Andrelândia, o seu Pároco, Pe. José Tibúrcio do Nascimento. Madrugada ainda, justamente às duas horas, seu corpo era conduzido à igreja matriz, onde foi velado. E, ao mesmo tempo, o serviço de alto-falante anunciava ao povo a notícia de sua morte. Não demorou muito, das várias pontas da cidade, acorreram à matriz os paroquianos. E a partir de três horas, teve início a série de missas, celebradas ou concelebradas por sacerdotes da diocese de São João del Rei e da Arquidiocese de Juiz de Fora e da diocese de Volta Redonda. Depressa a cidade foi se enchendo de pessoas vindas das comunidades rurais, das paróquias vizinhas e de vários outros pontos. Firme de caráter, bondoso de coração, de fé cristã viva e ardente, espírito alegre e comunicativo, sacerdote que fazia tudo para todos, o Pe. Tibúrcio possuía o dom de cativar amigos. Cerca de quarenta sacerdotes se fizeram presentes. Infelizmente, o nosso Bispo Diocesano, Dom Antônio Carlos Mesquita, embora o desejasse, não pôde comparecer. Achava-se em Itaici, na Assembléia dos Bispos. Fez-se representar pelo Exmo. e Revmo. Sr. Vigário-Geral, Mons. Juvenal Vaz Guimarães. Eram dezessete horas, quando o féretro deixava a Igreja matriz. Uma multidão calculada em 25 a 30 mil pessoas, sob a emoção que ia das lágrimas às palmas, conduzia seu corpo, rumo à igreja de São Benedito, em cuja praça se celebrou a última missa do dia e, em cujo interior, se lhe deu a sepultura.


Difícil traçar-lhe o perfil humano, a alma cristã e a figura de Pastor. Talvez se possa sintetizar tudo nesta frase, que, em faixa, se ergueu na rua, no dia de seu sepultamento: 'Obrigado, Pe. Tibúrcio, por seu testemunho de homem, de cristão e de sacerdote'."


               Era jovem demais para morrer.

De onde estiver nesse momento, Padre Tibúrcio, pedimos suas orações e a sua intercessão  em benefício do povo de Andrelândia, ao qual sempre serviu com tanta dedicação e amor.

sábado, 5 de agosto de 2017

O BOMBARDEIO AÉREO DE ANDRELÂNDIA EM 1930


A história da Terra de André é recheada de curiosidades, o que a torna muito especial para seus filhos e amigos.

É um orgulho ser andrelandense !

Para além de deter o bar mais antigo em funcionamento do país, de ter sido o provável berço do surgimento da bermuda e do controle de qualidade no Brasil, conforme já escrevemos neste blog, Andrelândia tem em seu "currículo"  o fato de ter sido uma das poucas cidades mineiras a sofrerem bombardeio aéreo.

Não se trata de causo, mas de fato histórico, comprovado documentalmente.

No ano de 1930, quando da Revolução, o município de Andrelândia (do qual ainda não havia se desmembrado Bom Jardim de Minas), fazia divisa com o Estado do Rio de Janeiro, pela Serra do Pacau.
Andrelândia - 1930

Os líderes políticos de Andrelândia (José Gustavo Alves, Gabriel Ribeiro Salgado e José Bernardino Alves Júnior) aderiram à Revolução (comandada por Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba), que tinha por objetivo colocar Getúlio Vargas na presidência da República, em substituição ao presidente eleito, Júlio Prestes.

A força pública federal, sediada no Rio de Janeiro, leal a Júlio Prestes, reagiu.

Foram iniciados conflitos armados nas divisas do Rio de Janeiro com Minas Gerais, inclusive com vários mortos.

Pela sua posição geográfica estratégica, Andrelândia se transformou em um dos principais redutos de resistência e ataques das  forças revolucionárias, que tinham por objetivo evitar a subida das tropas leais do Rio de Janeiro para o território mineiro.

Foram descarrilhados locomotivas e vagões dentro dos principais túneis da ferrovia que nos ligava a Barra Mansa a fim de evitar o avanço das tropas governistas. Nas pontes e pontilhões principais foram  colocadas dinamites que seriam explodidas em caso de avanço dos legalistas.

No dia 10 de outubro de 1930 a tropa revolucionária de Andrelândia, integrada por civis e militares locais e do Rio Grande do Sul,  entraram em combate com as forças legalistas que estavam em Augusto Pestana e derrotaram os inimigos depois de renhido e sangrento combate.



Tropa Revolucionária em Andrelândia, na atual Avenida Nossa Senhora do Porto

Como não conseguiam acessar Andrelândia por terra,  em revide os militares cariocas determinaram que a cidade fosse bombardeada.

No dia 15 de outubro de 1930 um avião inimigo sobrevoou e lançou uma bomba sobre a cidade.

Em razão da falta de precisão do artefato explosivo,  felizmente não houve vítimas.

A bomba caiu na região do Buraco Quente.


Documento que comprova o bombardeio da cidade de Andrelândia


Minha avó paterna presenciou  a cena e me contou, com detalhes, que os soldados que estavam aquartelados onde era a Câmara Municipal (Avenida Nossa Senhora do Porto, acima da casa da família do Sr. Jorge Salomão, onde era o Lactário), ajoelhados no chão dispararam tiros de fuzil e metralhadora contra o avião, o que talvez possa ter contribuído para o insucesso do ataque inimigo.

Contou-me que as famílias estavam apavoradas e depois do bombardeio abandonaram a cidade com medo de novos ataques, refugiando-se nas fazendas.

No final, a corrente revolucionária foi vitoriosa e um dos seus líderes em Andrelândia, o Dr. José Gustavo Alves, foi nomeado Prefeito por Getúlio Vargas. O Dr. José Bernardino Alves Júnior,  a seu turno, foi nomeado Secretário de Finanças do Estado.

Enfim, fomos bombardeados e saímos vitoriosos !

Brava gente andrelandense !

Conte e divulgue essa história.

Andrelândia é uma cidade muito especial !

Se quiser saber mais detalhes sobre o assunto, conheça o livro abaixo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

SAIBA MAIS SOBRE AS MILENARES PINTURAS RUPESTRES DA SERRA DE SANTO ANTÔNIO



Abrigadas no interior Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio estão as famosas pinturas rupestres da Toca do Índio, que constituem um dos mais importantes patrimônios culturais de Andrelândia.

Mas você sabe quando e por quem foram feitas ?  Qual a sua idade ? E o seu significado ?

Para  que você possa saber mais sobre esse tesouro arqueológico, preparamos abaixo algumas perguntas e respostas sobre o tema.

A história de Andrelândia começa bem antes da chegada do português André da Silveira...

Conheça e divulgue o nosso patrimônio !

Veja como visitar o Parque Arqueológico em:



Quando foram descobertas as pinturas ? Na década de 1970 as pinturas passaram a ser visitadas de forma mais rotineira por pessoas da cidade. Entretanto, como existem muros de pedras do período colonial (muros de escravos) muito próximos ao sítio, certamente as pinturas foram visitadas por escravos há mais de 150 anos.

As pinturas já foram pesquisadas por cientistas ? Equipes de arqueólogos da UFMG, chefiadas pelo arqueólogo André Prous,  visitaram o sítio nos anos de 1984 e 1985 e fizeram as primeiras pesquisas.
Todas as pinturas foram decalcadas em plástico e posteriormente reduzidas em microfichas (reprodução acima).

Foram encontrados outros vestígios arqueológicos  no sítio ?  Foram encontrados muitos cacos cerâmicos de utensílios pré-históricos; três pontas de projétil, sendo uma de quartzo, uma de sílex e uma de osso; restos de alimentação tais como um esporão de peixe, carapaças de tatu e de tartaruga, ossos de cervídeos, além de fogueiras.

Quem fez as pinturas ? As pinturas foram realizadas por populações pré-históricas que desapareceram há milênio, de forma que não sabemos os seus nomes.

Existem outras pinturas parecidas no Brasil ? As pinturas de Andrelândia são diferentes da maioria das ocorrências até hoje registradas em Minas Gerais. Pode se destacar a grande importância das figuras de lagarto, o que se observa também em alguns sítios do interior do estado da Bahia.


As pinturas foram feitas todas na mesma época ? Não. Os arqueólogos descobriram que elas foram feitas em três períodos distintos, correspondendo aos seguintes níveis cronológicos:
O mais antigo é monocrômico (uma única cor), com predominância do vermelho sobre o amarelo. No intermediário predomina a bicromia vermelho-amarelo. No nível mais recente existem grandes linhas nas cores vermelho e amarelo, bem como seis figuras com presença do branco.

Com qual material foram  feitas as pinturas ? Durante toda a pré-história, as cores vermelhas , ocre e amarelas foram geralmente produzidas com pigmentos minerais (óxidos e hidróxido de ferro). O branco era obtido com carbonatos, argilas brancas (caulim) ou osso calcinado.

Qual a área ocupada pelas figuras ?  As pinturas se estendem por 38 metros lineares de extensão. A maior parte está a uma altura de 2m no nível do atual piso. As mais altas estão a 5 metros.

Qual a idade das pinturas ? Não se tem uma datação específica para as pinturas.  Entretanto, carvões existentes no sítio encontrados pelos arqueólogos foram datados pelo método C14 em aproximadamente 3.500 anos, o que serve como uma referência para os demais vestígios. Entretanto, as pinturas podem ser até mesmo mais antigas.

Quantas pinturas existem ? Ao todo foram identificadas cerca de 650 figuras, sendo  464 vermelhas (71,3%), 129 amarelas (19,8%), 50 na bicromia vermelho-amarelo (7,7%). As 07 restantes são brancas (03), vermelho-brancas (03) e uma preta, correspondendo a 1,2%. No entanto, pode ter havido outras, que desapareceram com o tempo.
  
Qual o significado das pinturas ? Não se trata de uma escrita e não há uma lógica exata para compreendê-las e “decifrá-las”. Sabe-se que são registros feitos por populações pré-históricas que tinham a intenção de deixá-las para a posteridade.

O abrigo era utilizado como um local de moradia ? Não.  O abrigo era, ao que tudo indica, um local para a prática de rituais. Os sítios de habitação identificados estão principalmente na planície do Rio Turvo Grande, alguns quilômetros abaixo do sítio.

Esse é o único sítio arqueológico da cidade ? Não.  Já foram identificados quatro outros sítios rupestres no Município de Andrelândia e mais de uma dezena de  sítios cerâmicos.

Por que conservar os vestígios arqueológicos ? Os vestígios arqueológicos são protegidos por lei e devem ser preservados para que as gerações futuras possam também conhecê-los e estudá-los. Eles ajudam a explicar as nossas origens mais remotas.

Maiores informações sobre o passado pré-histórico de Andrelândia podem ser encontradas no livro: Andrelândia - 3500 anos de história.

Veja em:

 http://terradeandre.blogspot.com.br/2017/02/livro-andrelandia-3500-anos-de-historia.html 



sábado, 8 de julho de 2017

A SERRA DE ANDRELÂNDIA


Segundo um renomado autor, “Deus guarneceu as Minas pelas Serras para que, àquelas, somente os bravos chegassem”.

Verdade seja dita, seja pela poesia ou pela geografia, é simplesmente impossível separar a imagem de Minas Gerais das Serras que a adornam.
                
Por isso, toda cidade mineira que se preza tem que ter uma Serra para chamar de sua.

Os belo-horizontinos têm a Serra do Curral;  os sete-lagoanos  a Serra de Santa Helena;  os juiz-foranos o Morro do Imperador; os aiuruocanos o Pico do Papagaio; os são-joanenses a Serra do Lenheiro, e assim por diante...

Andrelândia, como toda boa e tradicional cidade mineira, não poderia fugir à regra.

Se é verdade que temos diversas serras em nosso município, como as da Natureza, Dois Irmãos, Residência, Garça etc., não há dúvida quanto ao fato de que aquela que está mais próxima e que melhor representa Andrelândia é a Serra de Santo Antônio.

A imponente  Serra de Santo Antônio 

As pinturas rupestres existentes naquela serra, que atinge 1.393 m de altitude, constituem a “certidão de nascimento” de Andrelândia. 


Pinturas rupestres de 3.500 anos ajudam a contar a história de Andrelândia


Com cerca de 3.500 anos de idade, as pinturas estão inseridas no interior do Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, onde também está exposta uma raríssima canoa pré-histórica, que era utilizada pelos indígenas nos deslocamentos pelo Rio Grande. Trilhas, mirantes e grutas completam o singular cenário.


Principais atrativos turísticos da Serra


A capela de Santo Antônio e suas tradicionais festas também aproximam o andrelandense daquele abençoado rincão da Terra de André.

Amigos de Belo Horizonte  conhecem a Capela de Santo Antônio - 2015

Capela restaurada - 2016


Em recente publicação no tradicional site de turismo www.conhecaminas.com foram divulgas as 14 mais conhecidas e importantes serras de Minas Gerais.

Advinha qual a serra de nº 11, que foi divulgada para todo o Brasil exatamente em razão de seu enorme valor cultural ?

SERRA DE SANTO ANTÔNIO !


Conheça e divulgue esse patrimônio andrelandense.

Temos que nos orgulhar de nossas riquezas !


Veja como visitar o Parque Arqueológico em: http://npa.org.br/npa_parque_arqueologico.php

domingo, 2 de julho de 2017

ABECEDÁRIO DAS FIGURAS FOLCLÓRICAS DE ANDRELÂNDIA

1.       AVELINO CALÇA CURTA
Peça rara, de espírito inventivo inigualável. Segundo as informações mais abalizadas, foi o inventor da bermuda no Brasil ao fazer uso de uma calça cortada em Andrelândia nos idos da década de 1950, revolucionando o traje dos homens na cidade e região, o que se espraiou para o Brasil e para o mundo. Foi também o introdutor do controle de qualidade na cidade.  Fazia questão de comer, cada dia da  semana, em casa de uma  determinada família na cidade. Quando a comida ficava ruim, abandonava o local e buscava outra casa, o que era amplamente comentado  nas rodas sociais de Andrelândia, expondo o proprietário da residência abandonada pelo Avelino aos falatórios mais constrangedores. Em razão disso, todos procuravam manter a qualidade da comida servida ao Avelino.

2.       BOTININHA
Alair era seu nome. Gente boa demais. Uma figura que só falava a verdade, desafiando a realidade de gente importante da cidade. Às vezes andava só de cueca pelas ruas de Andrelândia. Gostava de cuecas pretas, sempre andando de meias da mesma cor. Infelizmente, morreu cedo demais.

3.       CARCULA
Figura que morava perto do curtume (final da rua Ribeiro Salgado, próximo ao laticínio) e só andava de bicicleta com uma almofada do Vasco da Gama na garupa. Se perguntasse se ele carculava o que acontecia com alguém que sentasse em um formigueiro, loprava. Ofendia a mãe de todos. Segundo  a lenda ele havia sentado em um formigueiro, sendo severamente ofendido nas nádegas pelos insetos da  família Formicidae.

4.       DINHA
Uma velhinha que era guardiã do jardim localizado defronte à casa em que ela morava, na atual Avenida Nossa Senhora do Porto, em frente à Telemig. Casa antiga, infelizmente demolida.  Era uma fera com os meninos que jogavam futebol no jardim. Corria atrás deles com uma enorme vara de bambu, aterrorizando as crianças.

5.       GAITEIRO
Figuraça que apareceu em Andrelândia na época da construção da Ferrovia do Aço. Tocava gaita e tinha a fama de pegar crianças e colocar em um saco. Morreu de frio no leito da ferrovia.

6.       JOÃO BOLINHA
Tinha uma bolinha em uma das orelhas e detestava ser chamado  de João Bolinha. Andava sempre com um canivete, que passava na calçada, afiando-o, quando era desafiado por alguma criança. Era empregado do Sr. Manoel Padeiro.

7.       JOÃO DA GATA
Caboclo que dava cambalhotas na rua e exibia os órgãos genitais à criançada. Vivia cantando o “Hino de Andrelândia”, com o mesmo ritmo do Hino do Brasil. “Andrelândia é uma bosta, Andrelândia. Andrelândia é uma merda, Andrelândia. Andrelândia é fedena, Andrelândia”.

8.       JOAQUIM TAMANCO

Mendigo escuro, alto, de chapéu, verdadeiro mulambo que andava pelas ruas da cidade calçando tamancos de madeira. Era sempre seguido por cachorros em razão de seu mau-cheiro, por guardar carne nos bolsos. Certa vez uma senhora da sociedade resolveu fazer uma boa ação em seu benefício: deu-lhe um banho na Santa Casa. Avelino só durou três dias, morrendo de pneumonia. O comentário foi  que morreu “de banho”.

9.       LÓDIA

Uma espécie de índia, de diminuta estatura. Sentava nas calçadas da cidade, abria as pernas e mijava na rua, chamando a atenção de quem não conhecia a tradicional forma de aliviar a bexiga.

10.   MARIA PIAU

Senhora escura, de lenço na cabeça. Detestava ser chamada de Maria Piau.  Corria atrás das  crianças que a chamavam desta forma. Tinha fama de colocar os infantes em um saco. Morreu no Asilo.

11.   MARQUINHO DO BENTO

Peça rara que tomava todas, todos os dias.  Descendia de tradicional família árabe da cidade. Um coração enorme, de gente boa. Conhecia todos os bares de Andrelândia. Sabia de cor a ordem cronológica de abertura de cada um deles, a partir das 4.52h da madrugada. Deixou muita saudade entre seus amigos.

12.   NELITO
Caboclo com pensamentos inusitados e pouco convencionais. Tinha medo da morte e sempre indagava: Dor de barriga mata ?

13.   ONOFRE

Escuro retinto, que vivia mendigando.  Tomava todas. Almoçava e jantava na casa de um tradicional farmacêutico da cidade. Às 23.00h tomava “gotas amargosas”, acreditando que o reabilitaria da cachaçada. Dizia ter 333 anos de idade. Um maluco cabalístico.

14.   ROBERTO SAPATEIRO
    Roberto Justino da Silva era o seu nome (*07.06.1942 - + 18.09.1995). Como era filho de Dona Maria Assunção da Silva, também era conhecido como Roberto Assunção. Exercia a profissão de sapateiro em um pequeno cômodo situado na Rua Coronel José Bonifácio, 105. Gostava de tomar umas cangibrinas e, quando entrava em campo, só parava depois do dinheiro acabar, o que podia levar vários dias. Quando isso acontecia, Roberto sempre falava em tom de tristeza: "A vontade é triste, menino". Era famoso por criar ditados. Um deles era: quem dorme no sereno amanhece querendo.


15. ROMANINHA
Senhora escura, que morava no Areão. Tinha fama de bruxa. Fabricava azeite de mamona para vender e também doces, mas estes últimos ninguém comia, com medo morrer envenenado.  Dizem que ela usava paus de banguês (padiolas usadas para o transporte de cadáveres)  para mexer os seus doces e alimentos.  Segundo a lenda, após fazer xixi no alto de um cupinzeiro, ela virou bananeira. A fama dela é de que não morreu, apenas virou árvore.

16.    ZUZU

Um dos personagens mais folclóricos de Andrelândia. Todos o adoravam. Era filho da Dona Ozenda Andrade e do Sr. Lindolfo Queiroz. Um adulto, com cabeça de criança, que encantava a cidade. Ganhou do Padre Pedro Ciruffo um cineminha que sempre passava o mesmo filme: Tristezas não pagam dívidas. Também tinha um trenzinho, com o qual  brincava dentro do sobrado (atual Fundação Guairá), fazendo túneis por baixo das paredes de pau-a-pique. Brincava de matar porcos, furando gomos de mandacaru com “facas” de bambu.
Vigiava a cidade do segundo andar do sobrado. Sempre que via o farmacêutico Antônio de Andrade Alves na esquina, começava a gritar: Pára de cercar freguês aí, Seu Tonico ! E arrancava gargalhadas de todos.
No seu processo de interdição judicial, disse  contentemente que era  empresário, dono de um circo, fazendo lógicas considerações sobre as perguntas que lhe eram dirigidas. O susto das autoridades do Poder Judiciário só cessaram quando Zuzu revelou  que o escrivão do processo, Sr. Joaquinzinho Ferreira, era o palhaço do empreendimento. A audiência quase não terminou por causa de tantos risos.


A todos esses personagens andrelandenses que fazem parte da história da Terra de André, as nossas mais sinceras homenagens !

Todos moram em nossos corações.