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sexta-feira, 20 de julho de 2018

PREGUINHO - PATRIMÔNIO DE ANDRELÂNDIA

Como sempre temos salientado neste Blog, nem só de Viscondes, Barões e Coronéis é feita a história de Andrelândia.

Pelas ruas da cidade andam pessoas simples que integram o patrimônio cultural e afetivo da Terra de André.


É preciso ter sensibilidade para identificar e registrar cada um desses quase anônimos personagens que convivem conosco há décadas e nem sempre recebem o necessário reconhecimento ainda em vida.

Neste post registramos a nossa admiração e carinho por um dos mais populares personagens de Andrelândia.


De pequena estatura, fala rápida e muito comunicativo, Joaquim Silvério de Andrade  recebeu o pseudônimo pelo qual é conhecido quando ele ainda era criança e adorava subir em bancos da Avenida principal da cidade e fazer pregações imitando as falas e os gestuais dos padres que passavam por Andrelândia. 

O pequeno imitador dos pregadores logo recebeu  o apelido de Preguinho.

Nascido em Andrelândia em 16 de novembro de 1947, Joaquim Silvério de Andrade, o popular Preguinho, é um dos quatro filhos do casal Geraldo Silvério de Andrade (n. 1912), casado em 09 de junho de 1934 com Maria da Conceição Silva (n. 1910). Neto materno de Maria José da Silva e paterno de Sebastiana Cândida da Conceição.

Os ancestrais de Preguinho, segundo ele mesmo afirma, eram escravos que trabalhavam na Fazenda das Laranjeiras, em Andrelândia, uma das mais antigas e opulentas propriedades rurais da cidade.

Nascido e criado no Bairro Areão, que é uma de suas paixões, Preguinho fez seus estudos primários no Grupo Escolar Alfredo Catão, aprendendo a ler e escrever com Dona Aparecida, mulher do Sr. Alfredo Salgado. Posteriormente concluiu a 8a. série no Ginásio Visconde de Arantes, onde estudou, dentre outros, com os professores Zé Athaíde, Dipa e Mário Martins.


Adicionar legenda
Ainda na adolescência começou a trabalhar na torrefação de café do Sr. Jorge Salomão, onde permaneceu até a década de 1970.

Em seguida foi contratado como garçom do Bar e Restaurante Bartalo, o afamado estabelecimento do Luis Português, no Rosário, onde Preguinho serviu, sempre com alegria e boa vontade, grande parte da população andrelandense, além de muitos turistas e viajantes. Lá permaneceu por mais de duas décadas.

Hoje em dia continua trabalhando como garçom no Bar do Lucas, na entrada do Areão, mas tem se dedicado a outras tarefas, procurando valorizar a cultura negra na cidade.

Há sete anos Preguinho assumiu a presidência da Associação Afro Cultural de Andrelândia e tem feito um belo trabalho, auxiliando a realizar anualmente, por ocasião da Festa de São Benedito, a Missa Afro, seguida de danças típicas, além de ter promovido encontros nas localidades rurais do Município procurando resgatar a identidade e o orgulho dos negros.

O  sonho dele, atualmente, é conseguir uma sede para a Associação no bairro Areão, a fim de potencializar as ações em defesa e valorização da cultura africana em nossa cidade.

Pessoa simples e de grande coração, Preguinho merece todo o respeito e consideração do povo de Andrelândia.

Que seus sonhos se transformem em realidade !

Em um mundo que, infelizmente, vive tempos de ideologias extravagantes, artificiais, superficiais e, não raras vezes, oportunistas, é gratificante saber que entre nós existem pessoas como Preguinho, genuíno, discreto e desapegado defensor das origens da sua raça em Andrelândia. 

Preguinho é patrimônio cultural vivo da Terra de André.



Vida longa a ele !


sábado, 9 de junho de 2018

"SÔ TONICO" E A PHARMÁCIA SANTO ANTÔNIO



A história de Andrelândia é formada pela soma das histórias de cada um de seus moradores ao longo dos séculos da existência da querida Terra de André.

Sô Tonico no interior da Farmácia Santo Antônio

Um dos personagens que deu especial contribuição à história de nossa cidade foi o Sr. Antônio de Andrade Alves, farmacêutico por todos carinhosamente chamado "Sô Tonico".



Tenho lembranças dele quando, ainda menino, dirigia-me com meus pais à Farmácia Santo Antônio, onde eu me encantava com os  inesquecíveis balcões e prateleiras azuis, sortidos de remédios, perfumaria e brinquedos nas vitrines, principalmente na época do Natal.


O Sr. Tonico nasceu em 13/04/1899 na cidade do Turvo-MG e era filho de Gustavo Ernesto Alves e Ilidia da Silva Alves. Neto paterno de Francisco de Paula Alves e Leopoldina Laureana de Andrade e neto materno de Severino Cândido da Silva e Mariana Placidina de Jesus da Silva.

Foto de formatura do Sr. Antônio de Andrade Alves

    Fez os estudos primários no Turvo e, em seguida, no Colégio Santo Antônio em São João Del Rei.  Iniciou o curso de Farmácia em Ribeirão Preto em 1919, transferindo-se posteriormente para Alfenas onde se diplomou em 1922 e  se casou com Benedita Sério Alves, a Dona Di, natural de Três Corações, em outubro do mesmo ano.

     Em 1923,  fundou a tradicional Pharmácia  Santo Antônio, inicialmente localizada na Av. Nossa Senhora do Porto,  ao lado da Igreja Matriz, em Andrelândia. Em 1925 transferiu-se para Alfenas, e no ano seguinte mudou-se para Passa Vinte, onde permaneceu como farmacêutico por 10 anos. Retornando a Andrelândia em 1935, reabriu a farmácia na esquina das atuais avenidas Nossa Senhora do Porto e José Bernardino (atual casa da família do Sr. Jorge Salomão), e em seguida na rua então chamada Paula Campos, onde permanece o estabelecimento.




     Foi membro da diretoria do Clube Andrelândia e da Associação Atlética Andrelandense. Em 1942 participou, juntamente com Mário de Paula Campos, Raul de Andrade Carvalho e Hermano de Araújo Salgado, da comissão fundadora do Ginásio São Boaventura, da qual foi tesoureiro. Por este motivo, juntamente com os demais fundadores, foi homenageado em 1952 pelos formandos da primeira turma do ginásio São Boaventura.

        Em 1955 foi eleito, com expressiva votação, vice-prefeito de Andrelândia. Após o afastamento por motivo de doença do prefeito Benedito Silva em 1957, passou a exercer a chefia do Poder Executivo. Como prefeito, realizou obras de saneamento básico, terminou a urbanização das margens da via férrea, ampliou a malha rodoviária municipal e reconstruiu a ponte da Barra. Terminado o mandato para o qual fora eleito,  afastou-se da política e passou a dedicar-se em tempo integral à sua atividade de farmacêutico, sempre atendendo a todos, pobres ou ricos, com a mesma atenção e carinho. Não tinha nenhum apego a questões financeiras e jamais deixou de atender ou de fornecer medicamentos a quem precisava, a qualquer hora do dia.


Sô Tonico com os netos em frente à Farmácia

        Faleceu em 1995, aos 96 anos de idade, tendo sido considerado o farmacêutico que exerceu por mais tempo a direção de um mesmo estabelecimento em Minas Gerais.

        Atualmente, a rua onde passou a maior parte de sua vida, ostenta o seu nome: Farmacêutico Antônio de Andrade Alves.

        Deixou os filhos:

Maria Zoé Alves Salgado, professora, casada com Martiniano Belfort Salgado;

José Herzen Sério Alves, casado com Consuelo Maria Salgado Alves;

Dalka Sério Alves;

Eliete Sério Alves Leite, casada com Milton Campos Leite;

Vânia Sério Alves Romeiro, casada com Eduardo Romeiro;

Antônio Sérgio Alves, casado com Consuelo de Andrade Catão Alves;

Celso Sério Alves, casado com Maria Lúcia Meirelles Alves.





Registro de número 1000 do CRF concedido ao Sô Tonico

Ao querido "Sô Tonico", filho ilustre da Terra de André, as nossas homenagens e o nosso eterno agradecimento por tudo o que fez pelo povo de nossa cidade.





domingo, 27 de maio de 2018

CLASSIFICADOS DO TURVO - COMÉRCIO E SERVIÇOS DOS VELHOS TEMPOS DE ANDRELÂNDIA

O Comércio do Turvo, antigo nome de Andrelândia,  sempre foi muito diversificado, fazendo da cidade um  importante ponto de referência para a aquisição de produtos e serviços em toda a região.

Pharmácias, padarias, açougues, hotéis, bares, armarinhos, salões de beleza, material de construção, livros, bancos, advogados, médicos, laticínios, ferrarias e muito mais podia ser encontrado na velha Terra de André, entre  as décadas de 1890 e 1930.

Imagine  uma viagem sua ao passado de Andrelândia. 

Antes de partir para os tempos de antanho, veja abaixo se você conseguiria encontrar tudo o que precisaria e anote os nomes de seus fornecedores.

Não se esqueça de pedir descontos. Os turvenses sempre foram bons comerciantes e faziam de tudo para cativar os fregueses.

Boa viagem !





































































domingo, 22 de abril de 2018

DARCI DA PERIQUITA - FOREVER


Durante a minha juventude em Andrelândia, conheci e mantive contato com muitos personagens populares interessantíssimos, de quem guardo saudosa lembrança. 

Um dos quais me recordo em razão de suas composições musicais hilárias e irreverentes, sempre cantadas ao som de violão pelos botecos da cidade, é o Darci da Periquita, que estava para Andrelândia na década de 1980 assim como Raul Seixas estava para o Brasil. 

Era o nosso “maluco beleza”. 

Magro, alto, tez clara, Darci Miranda – esse era seu verdadeiro nome - veio ao mundo na vizinha cidade de Baependi em 22 de janeiro de 1945, filho de Dona Clélia Miranda, nascida em Varginha aos 27 de setembro de 1916 e falecida em Andrelândia em 06 de novembro de 2006. 

Dona Clélia, uma senhora muito gentil que lia mãos e cartas de Tarot, era apelidada Periquita, de onde surgiu a designação popular de seu filho artista: Darci da Periquita, exímio tocador de violão, que ensinou muitos andrelandenses a arte da música. 

Mas, para além de cantar, Darci também compunha letras e fazia paródias que eram conhecidas por boa parte dos moradores de Andrelândia. 

Lembro-me bem de uma paródia baseada na famosa canção Lady Laura, do Rei Roberto Carlos, em que Darci da Periquita homenageou o Tião da Laura, dono de um dos botecos mais tradicionais da cidade, cuja estrofe principal era a seguinte:

Tião de Laura, 
me leva pra casa, Tião de Laura, 
me dá uma pinga, Tião de Laura,
me faça um carinho, Tião de Laura ! 

Tião de Laura, 
me leva pra casa, Tião de Laura, 
me bota na cama, Tião de Laura, 
me faça dormir, Tião de Laura ! 


Fã de Raul Seixas, Darci da Periquita compôs letras psicodélicas, inspirado por generosas doses de cachaça sorvidas calmamente nos bares de Andrelândia, onde sempre era recebido com bom humor pelos donos e frequentadores, que com ele se divertiam cantando as canções mais satíricas e inusitadas da cidade.

Tive a felicidade de ganhar de presente uma letra inédita de Darci, escrita de próprio punho em uma folha de caderno ao final por ele assinada, documento que guardo com muito carinho. 

Vejamo-la: 

Memórias de um louco 
Era meia noite 
O sol brilhava no horizonte 
A lua redonda igual a um quiabo 
Eu sentado no meu banco de madeira
todo feito de pedras 
Apreciando as plantações de bacalhau 
Atrás de mim um jacaré voava em grande velocidade 
Um preto de cabelos louros dizia que o mundo é uma bola quadrada 
Que gira em torno de si mesma 
Um cego lendo um jornal sem letras de cabeça para baixo 
Enquanto os pássaros pastavam 
As vacas saltavam de galho em a galho 
À procura de seus ninhos.

Era uma vez uma pobre mulher muito rica 
Vivia de seu trabalho sem fazer nada
Um dia ela sentiu-se muito doente 
Porém bem de saúde saiu para buscar uma peneira d`água em um córrego seco 
Chegando lá encontrou uma cobra chorando igual a uma criança de 48 anos 
De tanta tristeza pegou a cobra e mordeu 
Veja só o destino da pobre cobra que morreu.

O artista Darci da Periquita teve uma passagem meteórica pela Terra e, antes de completar cinquenta anos de idade, partiu para alegrar outras paragens. 

Faleceu em Juiz de Fora em setembro de 1993, sendo sepultado no cemitério de Andrelândia, terra que ele acolheu como sua. 

Ao saudoso Darci, o nosso reconhecimento, as nossas palmas e o nosso eterno agradecimento por ter tornado a vida de tantos andrelandenses mais leve e alegre.

Darci da Periquita, FOREVER !

domingo, 8 de abril de 2018

SAIBA COMO SURGIU ANDRELÂNDIA E QUAIS AS CIDADES QUE SE DESMEMBRARAM DA TERRA DE ANDRÉ


À semelhança do que ocorre com as pessoas, que possuem uma ascendência, que pode ser demonstrada por meio de uma árvore genealógica, as cidades também possuem suas ancestralidades e, eventualmente, descendência.





Nascida administrativamente a partir de 1864, com a criação da Vila Bela do Turvo, antigo nome da cidade, Andrelândia é filha de Aiuruoca, neta de Baependi, bisneta de Campanha, trineta de São João del-Rei e tetraneta de Vila Rica, antiga Ouro Preto.


Ascendência administrativa de Andrelândia


Andrelândia, a seu turno, é a cidade mãe de São Vicente de Minas e Bom Jardim de Minas (nascidas em 1938) e de Piedade do Rio Grande e Madre de Deus de Minas (nascidas em 1953).


A Terra de André é, ainda, vovó de Carrancas (1948), Minduri (1953) e da caçula Arantina (1962).


Desmembramentos administrativos de Andrelândia




Mapa de Andrelândia em 1927



Conheça, compreenda e divulgue a história da cidade de Andrelândia !

Para saber mais detalhes sobre a evolução e desdobramentos de Andrelândia, conheça o livro abaixo:

domingo, 25 de março de 2018

HISTÓRIA DO CORETO DE ANDRELÂNDIA


Segundo o dicionário, Coreto (com significado de pequeno coro) é uma cobertura, situada ao ar livre, em praças e jardins, para abrigar bandas musicais em concertos, festas e romarias


Panorama de Andrelândia e seu Coreto

Antigamente, ante a ausência de microfones e caixas de som para comunicação,  o coreto funcionava como uma espécie de parlatório, e ficava situado na parte mais importante da cidade, sendo usado para avisos e pronunciamentos sociais ou políticos de relevo.

Enquanto o Coro das Igrejas era destinado a coisas do mundo espiritual, o Coreto, situado nas Praças, destinava-se às coisas mundanas. Era um espaço de manifestações com menor rigidez e controle, mais democrático e menos formal.


Assim, o coreto era um elemento essencial das cidades antigas, verdadeiro palco das mais diversas manifestações sociais, tais como apresentações musicais, avisos importantes e discursos. Daí, inclusive, surgiu a expressão “Bagunçar o coreto”, com o significado de atrapalhar ou sabotar acontecimentos importantes.


Conquanto os coretos existam de forma rotineira nas cidades de Minas Gerais, suas origens são antiquíssimas, residindo no remoto Oriente.


Presentes em Portugal e em vários países da Europa, para lá foram levados em razão do contato com culturas orientais no período das Cruzadas. Aventa-se a hipótese da origem mais remota dos coretos estar na China.


Em Andrelândia, a referência mais antiga que obtivemos a respeito de um coreto data de 1928, quando a Câmara Municipal autorizou que um fosse construído. O local, como de costume, estava situado bem defronte à Igreja Matriz, no centro da praça localizada na chamada Rua Direita, posteriormente denominada Avenida Getúlio Vargas e Nossa Senhora do Porto.


Coreto de Andrelândia em 1933

Há registros de várias apresentações musicais lá realizadas pelas bandas da cidade. Tratava-se de uma construção com base de alvenaria, em formato octogonal, com grades, pilares e cobertura de metal, como pode ser observado na fotografia abaixo.


Coreto na década de 1940

Contudo, por motivos desconhecidos, o antigo coreto foi destruído por volta da década de 1950, abrindo uma lacuna na vida andrelandense, que se viu destituída de local de destaque para manifestações culturais e sociais.


Durante décadas eram comuns os lamentos de várias gerações em relação à demolição do coreto, até que, em 2016, um novo foi construído pela Prefeitura, maior e com feições mais modernas, conquanto ocupando o mesmo local do antigo.





Atual Coreto de Andrelândia


Esperamos que, mais do que representar uma mera inserção arquitetônica rememorativa na paisagem da cidade, o Coreto de Andrelândia possa ser utilizado e fruído como local democrático de manifestações das artes e do sentimento do povo da Terra de André.

Essas as suas origens e esse o seu destino.


Vamos valorizar o Coreto !