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domingo, 24 de fevereiro de 2019

DR. DINIZ RANGEL - MÉDICO E COMBATENTE - ORGULHO DE ANDRELÂNDIA



Desde os meus tempos de menino ouvia meu avô materno falar, com grande admiração e orgulho, do Dr. Diniz Rangel, com quem ele havia trabalhado nas obras da ferrovia de Andrelândia, quando da eletrificação da Rede Mineira de Viação (RMV, também conhecida como Ruim Mas Vai), na década de 1930. Era tido por meu avô como verdadeiro ídolo, por ser excelente médico,  especialista em cirurgias complexas e Veterano de Guerra.

Dr. Diniz Rangel

Também guardo comigo, com especial carinho, algumas receitas subscritas pelo nobre facultativo, que cuidou de muita gente de minha família, inclusive de minha mãe, ainda quando bebê.

Cabeçalho do Receituário do Dr. Diniz Rangel


O Dr. Diniz Martins Rangel Júnior, filho de Diniz Martins Rangel e Maria Angélica Martins, natural de Santa Cristina do Pinhal, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 25 de junho de 1887, chegou a Andrelândia em 1930, por ocasião da Revolução. Era Capitão da Coluna Contreiras, formada sobretudo por gaúchos residentes no RJ e MG, que apoiavam Getúlio Vargas.


Durante os enfrentamentos de 1930, sabe-se de seu destemor e engajamento na causa revolucionária. Lutou nos altos da Mantiqueira, na Serra do Pacau, combatendo as forças legalistas e socorrendo seus companheiros de batalha.


Mas seu sentimento de patriotismo já havia se manifestado anteriormente, pois em 1918 integrou a Missão Médico-Militar do Brasil na França, durante a 1ª Grande Guerra Mundial, ocupando o posto de 1º. Tenente. No continente europeu, mais especificamente em Paris, cuidou de muitas vítimas da guerra no Hospital  instalado na Rue Vaugirarde, onde hauriu conhecimentos técnicos de relevo que teve oportunidade de exercitar anos depois em Andrelândia.


Partida da Força Médico-Militar para a Europa durante a 1ª. Guerra Mundial. 
Dr. Diniz Rangel estava entre os médicos enviados.

Um fato de relevo ficou registrado a tal respeito. Na década de 1930 o Sr. Alvim dos Santos, residente em Bom Jardim, na região do Pacau, sofreu uma queda de trem e partiu as duas pernas. Levado à Santa Casa de Misericórdia de Andrelândia, Dr. Diniz Rangel comandou a complicada cirurgia, inclusive convocando o Dr. José Andrade Godinho, dentista, para usar o aparelho de obturações para perfurar os ossos do enfermo, que foram emendados e parafusados.  Depois de seis meses de repouso,  o paciente voltou a andar normalmente.

Casa onde morou o Dr. Diniz Rangel


Em nossa cidade o Dr. Rangel  era médico da Caixa de Assistência da Estrada de Ferro, clinicava na Santa Casa de Misericórdia e também possuía consultório em sua residência, situada na esquina da Rua Coronel José Bonifácio com a Rua Emílio Cardoso, ao lado da Praça Visconde de Arantes. A casa foi posteriormente vendida para o Maestro Mário Martins e, em seguida, para Walter Meirelles.

Receituário da Caixa de Aposentadoria dos Ferroviários - um dos mais antigos planos de saúde de Andrelândia

Dr. Rangel, como era conhecido, era pessoa de espírito elevado e se dedicava, de corpo e alma, à profissão, sem se importar com a remuneração de seus serviços.

Na Santa Casa de Misericórdia há um quadro com a fotografia dele, em agradecimento pela sua dedicação àquela instituição filantrópica. Também em sua homenagem, uma das ruas do Bairro São Dimas recebeu o seu nome.

O nosso personagem faleceu no Rio de Janeiro em 02 de janeiro de 1950, no Hospital Central do Exército,  e foi sepultado no Cemitério São Francisco Xavier. Era casado com Dona Marieta Barati e pai de Diniz Rangel Neto.

Obrigado, Dr. Diniz Rangel, por tudo o que fez pela Terra de André e sua gente !

sábado, 23 de fevereiro de 2019

TRIBUTO DE GRATIDÃO AO CARIDOSO DENTISTA RUFINO PEREIRA JÚNIOR




                Nos tempos de antanho, quando raros eram os profissionais da área da saúde e precárias as técnicas de tratamento, a dor de dente era um dos maiores e mais temidos tormentos da população brasileira.
Rufino Pereira Júnior no início de seus estudos de odontologia


Nas cidades do interior, aqueles que experimentavam  problemas bucais, a exemplo de cáries, perda de dentes e afecções, em geral tinham que recorrer a “curiosos” e “entendidos” que, em geral, receitavam o uso de infusões de plantas medicinais, a ingestão de cachaça ou arrancavam o “elemento problemático” com as próprias mãos ou se valendo de ferramentas improvisadas, como turquesas de uso nas lidas da roça.

No início do século XX a odontologia na região da cidade do Turvo, a nossa Andrelândia, era ainda muito incipiente e poucos eram os profissionais que podiam aliviar o sofrimento dos que padeciam  de dores de dente.

Entre os pioneiros que chegaram à cidade com tal missão está o Sr. Rufino Pereira Júnior, que por cerca de três décadas dedicou-se, com esmero e desprendimento, a aliviar o sofrimento principalmente dos mais pobres e desvalidos.

Nascido em 04 de abril de 1894 em Santo Antônio da Estrela (atual Estrela Dalva, na  Zona da Mata Mineira),  o nosso personagem era filho de Rufino Pereira e de Maria Deolinda Pereira. 

Tomou gosto pela odontologia prática ainda jovem e já na casa dos vinte anos possuía equipamentos portáteis e desmontáveis, com os quais prestava seus serviços de extração, restauração e tratamento de dentes sobretudo nas fazendas e estações ferroviárias da região. Foi em suas andanças como dentista prático que conheceu a cidade do Turvo, onde passou a atender.

Após ter se casado com a prima Maria da Glória Pereira, Rufino mudou-se para Andrelândia, adquirindo uma casa na antiga “Avenida Minas Geraes”, atual Avenida Nossa Senhora do Porto, em local hoje correspondente à casa da família do Sr. Sebastião de Sousa (Sr. Tãozinho do Posto), onde nasceram os filhos Eny Pereira, João Batista Pereira, Maria Deolinda Diniz e Marilena Lourenço Pereira.

O imóvel, que contava com um alpendre lateral, também abrigava o gabinete dentário do Sr. Rufino, onde boa parte da sociedade andrelandense tratava dos dentes. No início, os equipamentos de perfuração, para fins de obturação, eram movidos a correias de couro inseridas em polias tocadas a pedal. Era a tecnologia então disponível.

Sr. Rufino e Dona Maria da Glória com os filhos Eny, João Batista, Maria Deolinda e Marilena, na casa situada na Avenida Nossa Senhora do Porto. Década de 1930

Na década de 1930, quando o Sr. Rufino formou-se oficialmente em odontologia pela Universidade do Rio de Janeiro, da então capital federal ele trouxe um moderno “Gabinete Electro-Dentário”, revolucionando os conceitos de tratamento odontológico na cidade, com a estruturação do consultório de acordo com as mais modernas tecnologias da época.

Foto de formatura de Rufino - 1936



Convite de  Formatura


Mas para além do profissionalismo e inovação, em nossas pesquisas descobrimos uma faceta do caráter do Sr. Rufino que ficou perdida nas brumas das décadas já decorridas desde que ele nos deixou, prematuramente, no ano de 1944: a caridade.


Rufino no interior do seu sofisticado Gabinete 
Electro-Dentário


Naqueles tempos em que a população rural andrelandense, sabidamente pobre, formava a maior parte de nossos habitantes, muitos eram os que, sofrendo dores torturantes em razão de abcessos e outros problemas bucais,  partiam do Caconde, Congonhal,  Dois Irmãos e outras localidades rurais  em direção ao consultório do Sr. Rufino em busca de tratamento e alívio.

A falta de recursos financeiros do paciente nunca obstou o atendimento atencioso e dedicado do nobre dentista, que tudo fazia para levar o alento e a cura a todos os que demandavam seus préstimos. Velhos tempos de solidariedade e desprendimento...

Não raras vezes, demoradas extrações dentárias e complexas cirurgias realizadas gratuitamente em pessoas carentes eram posteriormente  retribuídas, de forma espontânea e humilde, com galinhas, doces, frutas e ovos. 

A generosidade e a retidão de caráter do Sr. Rufino Pereira Júnior foram transmitidas aos seus descendentes, que, para nossa alegria, ainda hoje fazem parte da família andrelandense. Mesmo os que atualmente residem fora nunca perderam o contato com nossa cidade, à qual dedicam especial carinho.

Ao Sr. Rufino Pereira Júnior, caridoso dentista da Terra de André,  as nossas mais sinceras homenagens e o nosso eterno muito obrigado !

sábado, 9 de fevereiro de 2019

A CACHOEIRA DOS DEFUNTOS DE SANTANA DO GARAMBÉU



No vizinho município de Santana do Garambéu, no Campo das Vertentes de Minas Gerais, a aproximadamente 8 km da cidade,  na divisa com o município de Santa Rita de Ibitipoca, existe uma imponente cachoeira com poços profundos e três lindas quedas formadas no Ribeirão da Bandeira, afluente do Rio Grande.

A beleza da cachoeira, entretanto, contrasta com o nome fúnebre que lhe foi atribuído: Cachoeira dos Defuntos.




Segundo a tradição oral, ainda no século XIX, a Fazenda Pinheirinho,  onde a  cachoeira estava situada, era de propriedade de um homem de sobrenome D’Ávila, que ali mantinha um rancho de tropeiros com acomodações para os viajantes que transitavam pela região, sobretudo fazendo negócios envolvendo bois e porcos para abastecer o Rio de Janeiro. 

O movimento das tropas era intenso e o pagamento feito pelos tropeiros, conquanto módico, representava um ganho razoável para o estalajadeiro.

Contudo, D’Ávila era homem ambicioso e logo percebeu que poderia ganhar mais dinheiro se subtraísse os pertences de seus hóspedes quando passavam com altas somas nas canastras, subindo em direção às fazendas de gado, para fazerem seus negócios.


A partir de então, ele passou a selecionar os tropeiros mais abastados para aplicar o seu terrível plano. Quando descobria a presença de comerciantes com altas somas em seu rancho, D’Ávila tratava com especial atenção a comitiva, inclusive franqueando cachaça gratuitamente a todos os integrantes, que se divertiam em volta da fogueira, tocando viola e contando casos descontraidamente.

Durante a madrugada, quando todos dormiam, D’Ávila e seus sequazes, ávidos pelo ouro e pelas moedas trazidas pelos viajantes, tiravam a vida dos hóspedes tropeiros com extrema rapidez e violência. Os corpos ensanguentados das vítimas eram em seguida amarrados em pedras e jogados no poço mais profundo da cachoeira fronteira ao rancho, desaparecendo sob as águas do ribeirão.

Não se sabe exatamente quantas foram as vítimas do estalajadeiro assassino, mas fato é que ainda hoje existem pessoas que afirmam terem presenciado ossos humanos nas várzeas adjacentes ao Ribeirão da Bandeira após enchentes.


Conta-se que, certa feita, houve uma grande seca na região e um enorme número de ossos ficaram à mostra no areal da cachoeira. Uma  senhora viúva, dona de uma fazenda na região do Morro do Chapéu, teria mandado que seus escravos recolhessem os ossos das infortunadas vítimas de D’Ávila, sendo os mesmos acondicionados em sacos de couro  e levados, em um carro de boi,  para sepultura no adro da Capela de Santana do Garambéu.
        
No ano de 1949, quando trabalhava fazendo decorações no interior de fazendas da região, o pintor alemão Walter Kessler sensibilizou-se com a triste história dos tropeiros assassinados. 

Em um dia de folga, o pintor que morava em Andrelândia, pegou seus materiais de trabalho, enfurnou-se em uma gruta existente no sopé da cachoeira e no seu teto  pintou uma Nossa Senhora. Aos pés da divina mãe de Cristo, Walter fez uma súplica em favor das vítimas cujos corpos ali haviam sido jogados tempos atrás, deixando escrito: VELAE POR ESTES.



Passados setenta anos, a pintura  ainda existe. 

Um testemunho da triste história daqueles que sucumbiram na Cachoeira dos Defuntos.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

EXCLUSIVO ! REVELADA A FÓRMULA DA BEBIDA MAIS INEBRIANTE E ENIGMÁTICA DO CARNAVAL DE ANDRELÂNDIA


Quem curtiu  Carnaval em Andrelândia entre os anos de 1985 e 2000, certamente bebeu ou ouviu falar de uma bebida de teor alcoólico bombástico que era vendida no Bar do Dito Nable. 

Em razão do alto poder inebriante, a “poção”, que era servida em copos plásticos de 500 ml, acompanhada de um “picolé de gelo”, recebeu a apropriada designação de “Bomba” ©.

Adriano Nogueira Nable - criador da Bomba

Tudo começou com a necessidade de se servir uma bebida de baixo custo e capaz de “colocar em forma”, em tempo relativamente curto, os integrantes da banda do “Bloco da Cebola”, que se reuniam no bar para realização do “aquecimento” antes do desfile pelas ruas da cidade.

Como a maior parte dos integrantes do bloco era constituída por descendentes das famílias árabes Abrahão, Barquete, Nable e Salomão, a turma logo recebeu a alcunha do bulbo comestível largamente utilizado pelos “turcos” e passou a ser chamada de “Bloco da Cebola”.

Entretanto, durante o Carnaval, a turma da cebola só queria chapar o melão e tirar o zinabre da serpentina.

Bloco da Cebola durante o "aquecimento"

Foi então que o criativo Adriano Bananinha,  filho do Dito Nable, talvez intuído por antigos e tradicionais conhecimentos alquímicos e alcoológicos  de seus ancestrais sumérios, resolveu produzir uma bebida a partir da soma (cabalística) de “sete elixires”.

Assim  surgiu a Bomba, que era preparada ritualisticamente em baldes de vinte litros e misturada pelo “mago” Bananinha com uma enorme colher de madeira, que precisava ser trocada a cada ano em razão de um súbito e até hoje inexplicado “apodrecimento precoce” do utensílio.

Certo é que a “Bomba” ficou famosa e muita gente de fora de Andrelândia se dirigia ao Bar do Dito só para experimentar o inusitado e singular produto, responsável por “altos e baixas” no Carnaval de Andrelândia. 

A cor da Bomba era mutante. Normalmente variava entre o grená e o invisível e, não raras vezes, produzia enigmáticos vapores. 


O teor alcoólico médio da Bomba era de 48º, com sensação de 78º.

Por precaução, recomendava-se não fumar durante o consumo da bebida.

Conta-se que, certa feita, agentes do Mossad (המוסד למודיעין ולתפקידים מיוחדים) chegaram a ser enviados secretamente ao Bar do Dito para espionar o Bloco da Cebola, analisar o potencial ofensivo da agremiação e tentar descobrir a fórmula da Bomba. 

Contudo, os integrantes da inteligência israelense experimentaram o produto sem a necessária moderação e, depois de tocarem tamborim e cuíca no boteco, foram vistos de madrugada, chapados,  dançando “Segura o Tchan” e “Na boquinha da garrafa” no baile do Campestre Clube, restando frustrada a missão internacional.

De fato, Bananinha conseguiu driblar as mais intrincadas redes de espionagem sobre a fórmula do produto durante mais de três décadas, até que, recentemente, resolveu fazer a revelação pública das sete bebidas utilizadas para a produção da Bomba.

Assista aí, com exclusividade:




Revelação Bombástica !

As afamadas marcas das bebidas utilizadas, segundo fontes mais ou menos insuspeitas, eram as seguintes:

Whisky
Barangaines
Rum
Bacarxi
Conhaque
Zangão
Menta
Euthanasy
Fogo Paulista
King Kong
Groselha
Bagdá
Vodka
Balalayka

Especialistas consultados pelo Blog informaram que, com o advento da Convenção Internacional sobre a Proibição de Armas Químicas (1997), talvez seja necessária a alteração dos componentes da bebida caso se pretenda a retomada da sua produção em Andrelândia.

Brincadeiras de lado, fato é que a Bomba se transformou, ao longo de suas duas décadas de produção e largo consumo, em verdadeiro patrimônio histórico-alcoológico do Carnaval de Andrelândia.

Viva a Bomba !

Mas beba com moderação.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

DESCUBRA TODAS AS INFORMAÇÕES E DETALHES SOBRE A CANOA PRÉ-HISTÓRICA DE ANDRELÂNDIA

Andrelândia abriga, no Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, uma canoa indígena pré-histórica com mais de 400 anos de idade !

Você sabia disso ?

Trata-se de um dos mais raros e importantes vestígios arqueológicos pré-históricos de Minas Gerais e do país.

Veja abaixo as principais informações sobre o artefato.

Se você quiser visitar o Parque Arqueológico, pode obter informações AQUI


Onde e quando foi encontrada ?

A canoa foi encontrada no segundo semestre de 2014, durante uma forte estiagem, no leito do Rio Grande, na divisa de Andrelândia com o município de Santana do Garambéu.






Como foi encontrada ?

O menino Douglas Fonseca, então com nove anos de idade, deparou-se com o vestígio quando foi nadar no Rio Grande e avisou o pai dele sobre o achado.

Por que a canoa foi levada para o Parque Arqueológico ?

Para sua conservação e estudos, a canoa foi transportada, em uma cuidadosa operação, para o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, e está sob a responsabilidade do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande - NPA, que construiu um abrigo especificamente para ela.






Quais as suas dimensões  e como foi feita ?




A canoa tem 9,10 m de comprimento e largura média de 70 cm.  Conhecida como canoa monóxila, ou piroga, ela é uma embarcação tradicional, feita com um único tronco de árvore, escavado e esculpido (com ferramentas de pedra e uso de fogo), até tomar a forma de um barco, com capacidade de flutuar e se deslocar.

Qual a madeira utilizada ?

Em março de 2015, após um fragmento da canoa ter sido analisado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), os estudos científicos indicaram que o objeto foi confeccionado em um tronco de Araucaria angustifólia, conhecida popularmente como Pinheiro do Paraná ou Araucária. Trata-se de uma árvore ameaçada de extinção, mas que ainda existe na região do Parque. Frutos da árvore (pinhões) foram encontrados em escavações de arqueólogos da UFMG, o que sugere uma grande integração do homem pré-histórico com a a árvore, cujos galhos são muito utilizados para fogueiras.

Qual a idade  da canoa ?

Em janeiro de 2015 o NPA providenciou o envio de uma pequena amostra da madeira da canoa para o Laboratório Beta Analytics, situado em Miami, nos EUA, e o resultado da datação por radiocarbono indica que a embarcação foi construída por volta de 1610, ou seja, cerca de 80 anos antes da chegada das primeiras bandeiras paulistas à região do Sul de Minas, o que comprova sua natureza pré-histórica. 

Para que era utilizada ?

A canoa era utilizada pelos povos pré-históricos como um instrumento de extrema relevância para fins de deslocamento, caça, pesca, defesa e ataque. Os rios eram as principais vias de antigamente

A canoa é protegida como patrimônio cultural ?

Sim. Em razão de sua extrema  raridade e importância arqueológica, a Lei Municipal nº 1.958/2015, aprovada por unanimidade, declarou a canoa  como integrante do patrimônio cultural pré-histórico de Andrelândia.


Vídeos  e matérias sobre o tema




terça-feira, 18 de setembro de 2018

LANÇAMENTO NACIONAL - FILME SOBRE TANCREDO NEVES COMEÇA COM HISTÓRIA OCORRIDA EM ANDRELÂNDIA


Em 13 de setembro de 2018 houve o lançamento nacional do filme: "O PACIENTE - O caso Tancredo Neves". Com duração de 100 minutos, distribuído pela Downtown/Paris, a Direção do filme é de Sérgio Rezende.

O filme conta os últimos dias da vida de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil, eleito pelo colégio eleitoral no Congresso Nacional, depois da ditadura militar. Toda a expectativa da população brasileira e a doença de Tancredo, que depois de 39 dias de internação, morreu no dia 21 de abril de 1985, nunca sendo empossado.




Para nós, andrelandenses,  há  um motivo especial para  assistir ao filme: o enredo começa com Tancredo falando (nominalmente) de Andrelândia e do aperto que aqui ele passou na década de 1930. Um flashback recheado de humor.

Trata-se do famoso "Caso do Barbeiro", que já tivemos a  oportunidade de divulgar neste blog:

http://terradeandre.blogspot.com/2017/03/tancredo-neves-em-andrelandia-o-caso-do.html  

Como o Diretor Sérgio Rezende é  filho do Dr. Valério Azevedo Rezende, nascido em Andrelândia, em 1921, e neto de Dona Nair Azevedo, nascida na Fazenda Bahia, em 1898,   parece evidente que ele quis fazer uma homenagem à terra de seus ancestrais, que ele muito frequentou quando jovem.

Assim foi estabelecida uma formidável conexão entre a Terra de André e a biografia de Tancredo Neves, um dos mais destacados políticos da história de nosso país.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

PREGUINHO - PATRIMÔNIO DE ANDRELÂNDIA

Como sempre temos salientado neste Blog, nem só de Viscondes, Barões e Coronéis é feita a história de Andrelândia.

Pelas ruas da cidade andam pessoas simples que integram o patrimônio cultural e afetivo da Terra de André.


É preciso ter sensibilidade para identificar e registrar cada um desses quase anônimos personagens que convivem conosco há décadas e nem sempre recebem o necessário reconhecimento ainda em vida.

Neste post registramos a nossa admiração e carinho por um dos mais populares personagens de Andrelândia.


De pequena estatura, fala rápida e muito comunicativo, Joaquim Silvério de Andrade  recebeu o pseudônimo pelo qual é conhecido quando ele ainda era criança e adorava subir em bancos da Avenida principal da cidade e fazer pregações imitando as falas e os gestuais dos padres que passavam por Andrelândia. 

O pequeno imitador dos pregadores logo recebeu  o apelido de Preguinho.

Nascido em Andrelândia em 16 de novembro de 1947, Joaquim Silvério de Andrade, o popular Preguinho, é um dos quatro filhos do casal Geraldo Silvério de Andrade (n. 1912), casado em 09 de junho de 1934 com Maria da Conceição Silva (n. 1910). Neto materno de Maria José da Silva e paterno de Sebastiana Cândida da Conceição.

Os ancestrais de Preguinho, segundo ele mesmo afirma, eram escravos que trabalhavam na Fazenda das Laranjeiras, em Andrelândia, uma das mais antigas e opulentas propriedades rurais da cidade.

Nascido e criado no Bairro Areão, que é uma de suas paixões, Preguinho fez seus estudos primários no Grupo Escolar Alfredo Catão, aprendendo a ler e escrever com Dona Aparecida, mulher do Sr. Alfredo Salgado. Posteriormente concluiu a 8a. série no Ginásio Visconde de Arantes, onde estudou, dentre outros, com os professores Zé Athaíde, Dipa e Mário Martins.


Adicionar legenda
Ainda na adolescência começou a trabalhar na torrefação de café do Sr. Jorge Salomão, onde permaneceu até a década de 1970.

Em seguida foi contratado como garçom do Bar e Restaurante Bartalo, o afamado estabelecimento do Luis Português, no Rosário, onde Preguinho serviu, sempre com alegria e boa vontade, grande parte da população andrelandense, além de muitos turistas e viajantes. Lá permaneceu por mais de duas décadas.

Hoje em dia continua trabalhando como garçom no Bar do Lucas, na entrada do Areão, mas tem se dedicado a outras tarefas, procurando valorizar a cultura negra na cidade.

Há sete anos Preguinho assumiu a presidência da Associação Afro Cultural de Andrelândia e tem feito um belo trabalho, auxiliando a realizar anualmente, por ocasião da Festa de São Benedito, a Missa Afro, seguida de danças típicas, além de ter promovido encontros nas localidades rurais do Município procurando resgatar a identidade e o orgulho dos negros.

O  sonho dele, atualmente, é conseguir uma sede para a Associação no bairro Areão, a fim de potencializar as ações em defesa e valorização da cultura africana em nossa cidade.

Pessoa simples e de grande coração, Preguinho merece todo o respeito e consideração do povo de Andrelândia.

Que seus sonhos se transformem em realidade !

Em um mundo que, infelizmente, vive tempos de ideologias extravagantes, artificiais, superficiais e, não raras vezes, oportunistas, é gratificante saber que entre nós existem pessoas como Preguinho, genuíno, discreto e desapegado defensor das origens da sua raça em Andrelândia. 

Preguinho é patrimônio cultural vivo da Terra de André.



Vida longa a ele !


sábado, 9 de junho de 2018

"SÔ TONICO" E A PHARMÁCIA SANTO ANTÔNIO



A história de Andrelândia é formada pela soma das histórias de cada um de seus moradores ao longo dos séculos da existência da querida Terra de André.

Sô Tonico no interior da Farmácia Santo Antônio

Um dos personagens que deu especial contribuição à história de nossa cidade foi o Sr. Antônio de Andrade Alves, farmacêutico por todos carinhosamente chamado "Sô Tonico".



Tenho lembranças dele quando, ainda menino, dirigia-me com meus pais à Farmácia Santo Antônio, onde eu me encantava com os  inesquecíveis balcões e prateleiras azuis, sortidos de remédios, perfumaria e brinquedos nas vitrines, principalmente na época do Natal.


O Sr. Tonico nasceu em 13/04/1899 na cidade do Turvo-MG e era filho de Gustavo Ernesto Alves e Ilidia da Silva Alves. Neto paterno de Francisco de Paula Alves e Leopoldina Laureana de Andrade e neto materno de Severino Cândido da Silva e Mariana Placidina de Jesus da Silva.

Foto de formatura do Sr. Antônio de Andrade Alves

    Fez os estudos primários no Turvo e, em seguida, no Colégio Santo Antônio em São João Del Rei.  Iniciou o curso de Farmácia em Ribeirão Preto em 1919, transferindo-se posteriormente para Alfenas onde se diplomou em 1922 e  se casou com Benedita Sério Alves, a Dona Di, natural de Três Corações, em outubro do mesmo ano.

     Em 1923,  fundou a tradicional Pharmácia  Santo Antônio, inicialmente localizada na Av. Nossa Senhora do Porto,  ao lado da Igreja Matriz, em Andrelândia. Em 1925 transferiu-se para Alfenas, e no ano seguinte mudou-se para Passa Vinte, onde permaneceu como farmacêutico por 10 anos. Retornando a Andrelândia em 1935, reabriu a farmácia na esquina das atuais avenidas Nossa Senhora do Porto e José Bernardino (atual casa da família do Sr. Jorge Salomão), e em seguida na rua então chamada Paula Campos, onde permanece o estabelecimento.




     Foi membro da diretoria do Clube Andrelândia e da Associação Atlética Andrelandense. Em 1942 participou, juntamente com Mário de Paula Campos, Raul de Andrade Carvalho e Hermano de Araújo Salgado, da comissão fundadora do Ginásio São Boaventura, da qual foi tesoureiro. Por este motivo, juntamente com os demais fundadores, foi homenageado em 1952 pelos formandos da primeira turma do ginásio São Boaventura.

        Em 1955 foi eleito, com expressiva votação, vice-prefeito de Andrelândia. Após o afastamento por motivo de doença do prefeito Benedito Silva em 1957, passou a exercer a chefia do Poder Executivo. Como prefeito, realizou obras de saneamento básico, terminou a urbanização das margens da via férrea, ampliou a malha rodoviária municipal e reconstruiu a ponte da Barra. Terminado o mandato para o qual fora eleito,  afastou-se da política e passou a dedicar-se em tempo integral à sua atividade de farmacêutico, sempre atendendo a todos, pobres ou ricos, com a mesma atenção e carinho. Não tinha nenhum apego a questões financeiras e jamais deixou de atender ou de fornecer medicamentos a quem precisava, a qualquer hora do dia.


Sô Tonico com os netos em frente à Farmácia

        Faleceu em 1995, aos 96 anos de idade, tendo sido considerado o farmacêutico que exerceu por mais tempo a direção de um mesmo estabelecimento em Minas Gerais.

        Atualmente, a rua onde passou a maior parte de sua vida, ostenta o seu nome: Farmacêutico Antônio de Andrade Alves.

        Deixou os filhos:

Maria Zoé Alves Salgado, professora, casada com Martiniano Belfort Salgado;

José Herzen Sério Alves, casado com Consuelo Maria Salgado Alves;

Dalka Sério Alves;

Eliete Sério Alves Leite, casada com Milton Campos Leite;

Vânia Sério Alves Romeiro, casada com Eduardo Romeiro;

Antônio Sérgio Alves, casado com Consuelo de Andrade Catão Alves;

Celso Sério Alves, casado com Maria Lúcia Meirelles Alves.





Registro de número 1000 do CRF concedido ao Sô Tonico

Ao querido "Sô Tonico", filho ilustre da Terra de André, as nossas homenagens e o nosso eterno agradecimento por tudo o que fez pelo povo de nossa cidade.