Por: Marcos Paulo de Souza Miranda
Nos dias de hoje podemos dizer que, em Andrelândia, há uma razoável consciência coletiva sobre a necessidade de preservação dos bens integrantes do patrimônio cultural existentes no território do município, como casarões antigos (urbanos e rurais), igrejas e capelas, construções da época da instalação da ferrovia, grutas e sítios arqueológicos, entre outros.
Andrelândia atualmente é muito conhecida e valorizada fora de suas fronteiras exatamente em razão da beleza de seu traçado urbano e da existência de um patrimônio cultural bem preservado e difundido, o que acaba por despertar uma ponta de orgulho nos moradores e amigos da cidade, que ficam envaidecidos ao perceberem que a “Terra de André” vem se firmando como novo destino turístico de Minas Gerais
Mas é preciso ressaltar que esse nível de consciência foi alcançado apenas em tempos mais recentes, e decorre de muito trabalho de pessoas que, há longas décadas, vêm lutando para que a comunidade andrelandense perceba o valor de suas riquezas culturais, naturais e turísticas e passe a defendê-las.
Dr. Marcos Azevedo junto às pinturas rupestres da Serra de Santo Antônio
aos 87 anos de idade
Entre essas pessoas ganha especial destaque o Dr. Marcos Ribeiro de Azevedo, conhecido na cidade como “Dr. Marcos”, homem culto e de visão, que, durante várias décadas, sempre buscou conhecer, proteger e difundir as riquezas andrelandenses e formar novos atores e lideranças capazes de dar continuidade a essa tarefa.
Simples e gentil no trato, bem-humorado e com enorme energia, Dr. Marcos conhecia boa parte do território andrelandense, por onde fazia caminhadas pelas serras e gostava de visitar velhas fazendas e locais de potencial histórico e arqueológico, que sempre procurava registrar em fotografias.
Era leitor contumaz de obras históricas sobre Minas Gerais e, generoso, sempre presenteava seus amigos e pupilos com livros e artigos a respeito do assunto, difundindo o conhecimento e induzindo a iniciativa de novas pesquisas e descobertas.
Dr. Marcos de Azevedo (à esquerda) em piquenique na pedra do Serrote
na década de 1950
Os integrantes do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande (NPA), responsáveis pela criação do Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, por exemplo, foram quase todos amigos e pupilos do Dr. Marcos de Azevedo.
Aliás, na década de 1990, Dr. Marcos foi um grande entusiasta e incentivador da criação e implantação do Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, onde sempre estava presente, mesmo quando já se aproximava dos noventa anos de idade.
Nosso homenageado carregava no sangue o amor pela história e as coisas antigas, pois era filho do Dr. Álvaro de Azevedo (este, por sua vez, filho do Cel. José Bonifácio de Azevedo) e dona Maria da Glória Ribeiro Azevedo. Dr. Álvaro de Azevedo foi pioneiro na historiografia andrelandense, sendo autor dos livros “Andrelândia – Aspectos de sua vida política e social” e “Reminiscências”, obras essenciais para quem quer conhecer os antigos fatos e personagens da nossa cidade.
Nascido em Quatis-RJ em 11 de maio de 1926, Dr. Marcos Azevedo fez o curso técnico de Agronomia em Viçosa, cursou Direito na Universidade Federal Fluminense e Filosofia na Associação Barra-mansense de Ensino, em Barra Mansa - RJ.
Em Andrelândia, onde possuía casa e permanecia longas temporadas com frequência, sempre participava e apoiava as ações e movimentos relacionados à cultura, ao meio ambiente e ao turismo. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de abril de 2019, com quase 93 anos de idade.
Enfim, Andrelândia deve ao Dr. Marcos de Azevedo, em boa parte, o status que hoje ostenta de cidade ligada à preservação do patrimônio cultural, razão pela qual a ele rendemos as nossas mais sinceras homenagens e o formal registro de agradecimento pelo que fez, voluntária e desinteressadamente, em benefício de todos !
Obrigado por tudo, caro amigo.