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domingo, 22 de abril de 2018

DARCI DA PERIQUITA - FOREVER


Durante a minha juventude em Andrelândia, conheci e mantive contato com muitos personagens populares interessantíssimos, de quem guardo saudosa lembrança. 

Um dos quais me recordo em razão de suas composições musicais hilárias e irreverentes, sempre cantadas ao som de violão pelos botecos da cidade, é o Darci da Periquita, que estava para Andrelândia na década de 1980 assim como Raul Seixas estava para o Brasil. 

Era o nosso “maluco beleza”. 

Magro, alto, tez clara, Darci Miranda – esse era seu verdadeiro nome - veio ao mundo na vizinha cidade de Baependi em 22 de janeiro de 1945, filho de Dona Clélia Miranda, nascida em Varginha aos 27 de setembro de 1916 e falecida em Andrelândia em 06 de novembro de 2006. 

Dona Clélia, uma senhora muito gentil que lia mãos e cartas de Tarot, era apelidada Periquita, de onde surgiu a designação popular de seu filho artista: Darci da Periquita, exímio tocador de violão, que ensinou muitos andrelandenses a arte da música. 

Mas, para além de cantar, Darci também compunha letras e fazia paródias que eram conhecidas por boa parte dos moradores de Andrelândia. 

Lembro-me bem de uma paródia baseada na famosa canção Lady Laura, do Rei Roberto Carlos, em que Darci da Periquita homenageou o Tião da Laura, dono de um dos botecos mais tradicionais da cidade, cuja estrofe principal era a seguinte:

Tião de Laura, 
me leva pra casa, Tião de Laura, 
me dá uma pinga, Tião de Laura,
me faça um carinho, Tião de Laura ! 

Tião de Laura, 
me leva pra casa, Tião de Laura, 
me bota na cama, Tião de Laura, 
me faça dormir, Tião de Laura ! 


Fã de Raul Seixas, Darci da Periquita compôs letras psicodélicas, inspirado por generosas doses de cachaça sorvidas calmamente nos bares de Andrelândia, onde sempre era recebido com bom humor pelos donos e frequentadores, que com ele se divertiam cantando as canções mais satíricas e inusitadas da cidade.

Tive a felicidade de ganhar de presente uma letra inédita de Darci, escrita de próprio punho em uma folha de caderno ao final por ele assinada, documento que guardo com muito carinho. 

Vejamo-la: 

Memórias de um louco 
Era meia noite 
O sol brilhava no horizonte 
A lua redonda igual a um quiabo 
Eu sentado no meu banco de madeira
todo feito de pedras 
Apreciando as plantações de bacalhau 
Atrás de mim um jacaré voava em grande velocidade 
Um preto de cabelos louros dizia que o mundo é uma bola quadrada 
Que gira em torno de si mesma 
Um cego lendo um jornal sem letras de cabeça para baixo 
Enquanto os pássaros pastavam 
As vacas saltavam de galho em a galho 
À procura de seus ninhos.

Era uma vez uma pobre mulher muito rica 
Vivia de seu trabalho sem fazer nada
Um dia ela sentiu-se muito doente 
Porém bem de saúde saiu para buscar uma peneira d`água em um córrego seco 
Chegando lá encontrou uma cobra chorando igual a uma criança de 48 anos 
De tanta tristeza pegou a cobra e mordeu 
Veja só o destino da pobre cobra que morreu.

O artista Darci da Periquita teve uma passagem meteórica pela Terra e, antes de completar cinquenta anos de idade, partiu para alegrar outras paragens. 

Faleceu em Juiz de Fora em setembro de 1993, sendo sepultado no cemitério de Andrelândia, terra que ele acolheu como sua. 

Ao saudoso Darci, o nosso reconhecimento, as nossas palmas e o nosso eterno agradecimento por ter tornado a vida de tantos andrelandenses mais leve e alegre.

Darci da Periquita, FOREVER !

domingo, 8 de abril de 2018

SAIBA COMO SURGIU ANDRELÂNDIA E QUAIS AS CIDADES QUE SE DESMEMBRARAM DA TERRA DE ANDRÉ


À semelhança do que ocorre com as pessoas, que possuem uma ascendência, que pode ser demonstrada por meio de uma árvore genealógica, as cidades também possuem suas ancestralidades e, eventualmente, descendência.





Nascida administrativamente a partir de 1864, com a criação da Vila Bela do Turvo, antigo nome da cidade, Andrelândia é filha de Aiuruoca, neta de Baependi, bisneta de Campanha, trineta de São João del-Rei e tetraneta de Vila Rica, antiga Ouro Preto.


Ascendência administrativa de Andrelândia


Andrelândia, a seu turno, é a cidade mãe de São Vicente de Minas e Bom Jardim de Minas (nascidas em 1938) e de Piedade do Rio Grande e Madre de Deus de Minas (nascidas em 1953).


A Terra de André é, ainda, vovó de Carrancas (1948), Minduri (1953) e da caçula Arantina (1962).


Desmembramentos administrativos de Andrelândia




Mapa de Andrelândia em 1927



Conheça, compreenda e divulgue a história da cidade de Andrelândia !

Para saber mais detalhes sobre a evolução e desdobramentos de Andrelândia, conheça o livro abaixo: