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domingo, 3 de novembro de 2019

ANTIGAS EXPEDIÇÕES À SERRA DE SANTO ANTÔNIO

Nos dias atuais, quem quiser visitar a Serra de Santo Antônio pode conhecer previamente as belezas do local pelas redes sociais, como instagram e facebook, e agendar sua visita (www.npa.org.br) para se dirigir ao Parque Arqueológico em seu veículo, de forma cômoda e segura. 

A estrada de acesso até o interior do Parque é bem conservada e lá você conta com uma boa infraestrutura, como trilhas limpas, sinalização indicativa e interpretativa, energia elétrica, banheiro e água potável.

Mas nem sempre foi assim...

Antigamente fazíamos verdadeiras "expedições" à Serra de Santo Antônio, onde somente era possível chegar a pé  (e com muita dificuldade). 

Facões para abrir picadas de acesso no meio da mata, porretes para afastar cobras e cordas para chegar ao pico eram equipamentos essenciais naqueles tempos...

Encontrar cobras, lagartos e outros bichos pelo caminho era coisa muito comum.

Abaixo registramos fotografias dessas antigas expedições, que fazem parte da história da evolução do turismo arqueológico e  da  consciência preservacionista em Andrelândia.

Faça conosco esse passeio pelo tempo.

Divulgue e visite o nosso Parque Arqueológico.

Localize suas fotos antigas e compartilhe conosco para divulgação !





















domingo, 21 de julho de 2019

HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA DO PORTO, PADROEIRA DE ANDRELÂNDIA




Andrelândia tem a dádiva de ter como sua padroeira Maria, a santíssima mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela milagrosa invocação de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação.

Padroeira de Andrelândia

A escolha da invocação se deu pelos primeiros povoadores da região do Rio Turvo, então pertencente à Freguesia de Aiuruoca, nos albores da década de 1750, quando tramitava no Bispado de Mariana o pedido de licença para a edificação da capela que viria a se tornar o embrião do futuro Arraial do Turvo, hoje cidade de Andrelândia.

Não se sabe ao certo de quem partiu a iniciativa de se escolher a invocação, mas provavelmente se deveu a algum português natural da cidade do Porto,  cuja padroeira é a mesma. Era comum, naqueles tempos, que os desbravadores trouxessem junto consigo, para protege-los da perigosa travessia do Atlântico e para abençoá-los nas Minas, a imagem do santo de sua devoção, normalmente feita de madeira e de pequenas dimensões.


Padroeira da cidade do Porto

Quanto à origem da invocação, a cidade do Porto estava totalmente dominada pelos Mouros, quando por volta do ano 990 uma forte armada liderada pelo nobre português Dom Munio de Viegas, começou a enfrentar os dominadores infiéis com o intuito de expulsa-los da Península Ibérica. A armada contava com cavaleiros originários da Gasconha (região da França) e com o acompanhamento do Bispo Dom Nonego, da cidade francesa de Vêndome, que levava consigo uma imagem da Nossa Senhora de Vândoma, que era a padroeira de sua cidade.

Antigo Brasão da Cidade do Porto, com a 
Virgem ao centro

Segundo a tradição, dom Munio e os franceses, após a difícil vitória sobre os mouros, reergueram as muralhas da cidade e, em agradecimento às bênçãos recebidas, construíram a chamada Porta de Vandoma, onde teria sido colocada a referida imagem de Nossa Senhora, atualmente exposta na Sé do Porto. A cidade recebeu, a partir de então, a designação de Civitas Virginis (Cidade da Virgem) e consagrou Nossa Senhora de Vandoma como sua padroeira, devoção que, até hoje, ilustra o brasão de armas do Porto.

Com a descoberta das Minas, muitos portugueses daquela região para cá se dirigiram e trouxeram consigo a mesma devoção, que aqui se implantou.

Além de Andrelândia, sabemos que Nossa Senhora do Porto é também a padroeira da Capela do Saco, em Carrancas, e da cidade de Senhora do Porto, Vale do Rio Doce, nas proximidades de Guanhães.



Matriz de Nossa Senhora do Porto - Andrelândia

Em Andrelândia, ao que tudo indica, a primeira imagem da padroeira deveria ter pouco mais de trinta centímetros de altura, considerando as dimensões do nicho colocado sobre a porta da igreja matriz, onde certamente a Santa era exposta nos dias de festa.


Nicho da Matriz de Andrelândia

Nicho da Fonte da Quinta de Aleveda, Portugal

Interessante notar que tal nicho, lavrado em pedra de cantaria, é muito parecido com o nicho dedicado à mesma santa, situado na Fonte de Nossa Senhora de Vandoma, na Quinta de Aleveda, em Penafiel, Portugal, o que pode ser uma dica de relevo para se descobrir quem teria trazido a devoção e a antiga imagem para Andrelândia. 

 Fonte de Nossa Senhora do Porto da Quinta de Aleveda, Portugal

Detalhes da fonte indicam que ela pode ter servido, inclusive,  de inspiração para a fachada da Matriz andrelandense.



Há um documento de 1757 em que os moradores do Turvo pedem autorização ao Bispo de Mariana para entronizarem uma nova imagem da Padroeira, possivelmente a que hoje está no altar-mor da Igreja Matriz e é, ao que tudo indica, de fabricação portuguesa, pois foi esculpida em pinus europeu.

A  imagem da Padroeira, que hoje se encontra no altar-mor da igreja matriz, tem as seguintes características físicas: representa a Virgem Maria Mãe, alta e magra, com tez clara e feições européias, de pé, em posição majestosa. Olhos direcionados para frente, num ponto não muito distante, com o Menino Jesus sentado em seu braço esquerdo e voltado para frente, em apresentação.

O Menino, com apenas alguns panos cobrindo-lhe do abdômen até os joelhos, fixa o olhar num ponto mais próximo, abaixo, à direita. A Virgem veste uma túnica longa, de cor creme, permitindo-lhe aparecer apenas as mãos e a ponta dos pés descalços. Por cima, um manto espesso, que vai até o chão, em azul-fino, cobre-lhe a cabeça por sobre um véu de tonalidade mais clara, deixando parte dos cabelos à vista. Esse manto tem, além do azul, motivos florais em ouro, espalhados em toda a sua extensão, e uma faixa larga, em cores invertidas, fazendo o contorno de sua barra. O avesso é vermelho-salmão. Na parte da frente, o manto foi suspenso com o braço esquerdo, para servir de colo ao Menino Jesus. Com a mão direita, ela apoia o Filho, como para evitar que se incline para frente. Analisando a projeção dinâmica da estátua, tem-se a clara ideia de que a Virgem não está apenas mostrando o Filho, mas, oferecendo-O. Ambos são ornados de coroa cupular prateada, encimada por uma cruz.


Coroação de Nossa Senhora do Porto

A imagem, que tem 1,30 m de altura, está apoiada em um pedestal quadrangular de 40 cm de altura, trabalhado em estilo rococó, tambem de madeira, na cor branca, com detalhes em ouro.

Em 1812 foi criada no Arraial do Turvo a Irmandade de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, que passou a ser a responsável pela manutenção da Matriz. O livro com o Compromisso da Irmandade ainda existe nos arquivos paroquiais. Desde aquela época, o dia da padroeira é comemorado em 15 de agosto.

Passados mais de 260 anos da chegada da devoção a Nossa Senhora do Porto à nossa cidade, a fé dos andrelandenses na santíssima mãe de Cristo continua inabalável. Sob o olhar doce e maternal de nossa padroeira se deram milhares de batizados, casamentos e tristes despedidas. 

Ela faz parte da nossa história e de nossa vida.


       Que as suas bênçãos desçam sobre nós, nos protegendo dos perigos e tentações e iluminando a trajetória de todos os andrelandenses pelo caminho da justiça, do amor e da caridade.

Viva Nossa Senhora do Porto !!!



domingo, 2 de junho de 2019

ZÉ GODINHO, O PRECURSOR DA ARQUEOLOGIA EM ANDRELÂNDIA




Nos dias de hoje Andrelândia é reconhecida nacionalmente como uma das cidades mais dedicadas à preservação de seu patrimônio pré-histórico.

O Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, criado em 1994, com pinturas rupestres de mais de três mil anos de idade, tombadas pelo Município como patrimônio cultural, figura em dezenas de trabalhos acadêmicos e livros sobre a arqueologia brasileira.

Também existe na cidade o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande (NPA), entidade criada na década de 1980 e considerada como uma das mais antigas ONGs de defesa do patrimônio cultural brasileiro. Pelo trabalho voluntário em defesa do patrimônio arqueológico de Andrelândia, o NPA recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade no ano de 2003. Concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Prêmio é considerado a maior honraria nacional na área do patrimônio cultural do país.

Mas tudo isso não ocorreu por acaso.

É de se reconhecer que quem deu os primeiros passos na defesa do patrimônio arqueológico de Andrelândia foi o Dr. José Godinho Filho, cirurgião-dentista, carinhosamente conhecido em Andrelândia como Zé Godinho.

Zé Godinho em seu Jipe Land Rover


Muito inteligente, curioso e de rara perspicácia, Zé Godinho – além de excelente dentista - era uma espécie de mistura de Indiana Jones com MacGayver, pois adorava pesquisar coisas antigas e consertar equipamentos. Não bastasse, tinha um radioamador que era responsável por fazer a comunicação dos assuntos mais importantes entre  Andrelândia e diversas partes do país e do mundo. Enfim, uma pessoa à frente do seu tempo.

Nascido em Andrelândia em 14 de janeiro de 1918, era filho de José de Andrade Godinho e Maria José Godinho. Neto paterno de Evaristo Pereira Godinho e Ubaldina de Andrade Godinho. Neto materno de Ernesto da Silva Braga e Maria Jesus de Carvalho Braga. Casou-se com Wanda Rezende Godinho em 17 de junho de 1944.
 
Em meados do século José Godinho era proprietário de uma empresa de coleta de “Rutilo”, rocha composta por dióxido de titânio,  abundante na região e que era exportada para a Europa e para o Japão para uso em equipamentos bélicos, sobretudo.

Amante da arqueologia (tinha diversos livros sobre o assunto e falava  Tupi-Guarani), Zé Godinho conhecia muito bem o território andrelandense e sabia que existiam muitos vestígios pré-históricos  confeccionados em pedra polida espalhados pela região, tais como machados e soquetes. 


Zé Godinho em uma de suas expedições pelos rios de Andrelândia

Na zona rural esses artefatos eram conhecidos como “pedras de raio” ou “pedras de corisco”, pois uma lenda secular  dizia que eles caiam na terra juntamente com os relâmpagos.

Como Zé Godinho tinha diversos fornecedores de rutilo para a sua empresa, que faziam a coleta do mineral nos campos da zona rural, ele começou a orientá-los no sentido de que deveriam também procurar pelas “pedras de raio” e, assim, com a inteligente iniciativa, ele foi formando a primeira coleção de instrumentos arqueológicos de Andrelândia, chegando a atingir cerca de cem peças.

Parte da coleção de Zé Godinho chegou a ser levada para o Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, sendo incorporada ao acervo da “Sala de Ciências”. Foi lá que este escritor se deparou, pela primeira vez, com um machado pré-histórico semilunar, o que me despertou um enorme interesse pelo assunto arqueologia, fato que certamente ocorreu com muitos outros alunos, hoje defensores do patrimônio cultural de Andrelândia.



Artefatos pré-históricos da coleção Zé Godinho

Lembro-me que nas "Feiras de Ciências" do Colégio o assunto arqueologia estava sempre presente, o que motivou, inclusive, diversas excursões de alunos à Serra de Santo Antônio, para conhecerem as pinturas rupestres nos idos de 1980.

Em maio de 2014, parte da coleção arqueológica de José Godinho Filho foi entregue pela família ao Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande, que está realizando minucioso trabalho de catalogação e inventário das peças, para divulgação científica dos achados.

Filho e neto do pioneiro  José Godinho apresentando a coleção de artefatos pré-históricos ao arqueólogo francês André Prous (esquerda), uma das maiores autoridades em arqueologia no Brasil.


    Enfim, devemos muito a José Godinho Filho, o querido Zé Godinho,  pela sua ação pioneira na coleta e preservação dos vestígios arqueológicos de Andrelândia, motivando e influenciando outras pessoas a seguirem os mesmos passos.


Andrelândia não seria a mesma sem o trabalho por ele aqui desenvolvido.

Ao Dr. José Godinho, falecido na em 23 de abril de 1984, pioneiro na preservação do patrimônio arqueológico da região de Andrelândia, o nosso eterno agradecimento e o mais sincero reconhecimento por tudo o que fez pelo patrimônio cultural de nossa cidade !

terça-feira, 16 de abril de 2019

PARQUE ARQUEOLÓGICO TERÁ PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NO SÁBADO DE ALELUIA




No próximo dia 20/04, Sábado de Aleluia, o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio terá uma programação especial na parte da manhã (entre as 08:00h e as 12:00h).

Além dos atrativos estarem abertos à visitação, haverá a exposição de diversos instrumentos arqueológicos pré-históricos encontrados na região de Andrelândia, incluindo ferramentas e armas de pedra, bem como objetos cerâmicos.

Entre 10:00h e 11:00h será ministrada no abrigo rochoso “Toca do Índio” uma palestra sobre as pinturas rupestres, ocasião em que serão explicados detalhes sobre as figuras, tais como idade, como foram feitas, possíveis significados e estudos arqueológicos já realizados sobre elas.

Ingressos ao custo promocional de R$ 5,00 (cinco reais), cujos valores serão revertidos para a manutenção do Parque.


Conheça e valorize o Patrimônio Cultural de Andrelândia !

sábado, 9 de março de 2019

SAUDADES DO CLUBINHO DE ANDRELÂNDIA

O antigo Clube de Andrelândia, carinhosamente conhecido por "Clubinho", foi fundado no ano de 1941 por iniciativa do Dr. Altino de Azevedo,  sendo em seguida instalado em terreno que era, anteriormente, de propriedade da Prefeitura Municipal (antiga porção do sobrado do Barão do Cajurú, adquirido para a instalação do Grupo Escolar Raul Soares).


Vista da fachada do velho Clubinho, hoje fechado.



Durante várias décadas foi ele o único clube social de Andrelândia e era ali que se realizavam os animados  matinês de carnaval, festas de casamento, formaturas, aniversários, solenidades e os famosos bailes  dançantes de antanho, onde tantos namoros se iniciaram em Andrelândia.



Antigo sobrado do Barão do Cajurú. 
À esquerda foi instalada a Prefeitura e à direita o Clube Andrelândia

Muitos são os que se recordam daqueles tempos de  "amor anotado em bilhetes",  "daquelas tardes", "quanta saudade" ...

Abaixo, alguns registros fotográficos de episódios transcorridos no Clube Andrelândia:












O Clube  era muito bem mobiliado e contava com salão de jogos, equipamentos de som, jogo completo de mesas e cadeiras, bar e lanchonete. Ouvi de antigos frequentadores que nas festas mais chiques as toalhas eram de linho branco e os serviços eram prestados por garçons trajados de maneira impecável, à semelhança do que ocorria nas grandes capitais.

Dr. Altino Azevedo, fundador do antigo Clubinho


O patrimônio do Clube foi formado por doação da Prefeitura Municipal (terreno) e aquisição de cotas pelos sócios fundadores, de forma que se trata de um bem de propriedade coletiva da sociedade andrelandense, conforme narrado pelo  próprio fundador, Dr. Altino de Azevedo:


"O Clube de Andrelândia foi construído e inaugurado em 1942, em terreno próprio, doado pela Prefeitura, conforme documentação completa em poder da diretoria. Os recursos financeiros com que me foi possível levantar o prédio, foram angariados entre pessoas da sociedade local e entre alguns filhos de Andrelândia residentes fora, que são hoje os sócios fundadores... Terminada a construção, seguiu-se rápida campanha para aquisição do mobiliário e a 23 de dezembro o Clube de Andrelândia era solenemente inaugurado com uma festa a que compareceram toda a sociedade local e elementos das povoações vizinhas" (Andrelândia, fatos de sua vida político-social. 1954. p. 76)



Notícias do Clube em 1966 - Jornal Andrelandense

Na década de 1980 o Clube foi desativado e alugado para que ali funcionasse a agência do Banco do Brasil na cidade. Posteriormente, com a construção da sede própria do banco, na Praça João Zuquim, o Clube foi reativado por algum tempo, ali se realizando festas de casamento, aniversário e apresentações musicais.


Apólice de sócio proprietário do Clube Andrelândia

Hoje, contudo, o prédio não se destina mais à  função original de servir aos seus sócios e está, infelizmente, fechado.

Em uma cidade que carece de locais para atividades de diversão, lazer, cultura e entretenimento, sobretudo para a juventude e para a melhor idade, seria uma grande alegria ter de novo em funcionamento o nosso charmoso Clubinho, que conta com uma excelente sede social e está situado no coração do centro histórico da Terra de André.

Se os antigos sócios se unirem e se esse for desejo da comunidade andrelandense, esse sonho poderá ser transformado brevemente em realidade, resgatando mais um importante patrimônio cultural de nossa cidade, a exemplo do que está ocorrendo com o antigo Cine Glória, em fase final de restauração, o que é merecedor de todos os elogios.


Volta, Clubinho !!!

Andrelândia agradece !


domingo, 24 de fevereiro de 2019

DR. DINIZ RANGEL - MÉDICO E COMBATENTE - ORGULHO DE ANDRELÂNDIA



Desde os meus tempos de menino ouvia meu avô materno falar, com grande admiração e orgulho, do Dr. Diniz Rangel, com quem ele havia trabalhado nas obras da ferrovia de Andrelândia, quando da eletrificação da Rede Mineira de Viação (RMV, também conhecida como Ruim Mas Vai), na década de 1930. Era tido por meu avô como verdadeiro ídolo, por ser excelente médico,  especialista em cirurgias complexas e Veterano de Guerra.

Dr. Diniz Rangel

Também guardo comigo, com especial carinho, algumas receitas subscritas pelo nobre facultativo, que cuidou de muita gente de minha família, inclusive de minha mãe, ainda quando bebê.

Cabeçalho do Receituário do Dr. Diniz Rangel


O Dr. Diniz Martins Rangel Júnior, filho de Diniz Martins Rangel e Maria Angélica Martins, natural de Santa Cristina do Pinhal, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 25 de junho de 1887, chegou a Andrelândia em 1930, por ocasião da Revolução. Era Capitão da Coluna Contreiras, formada sobretudo por gaúchos residentes no RJ e MG, que apoiavam Getúlio Vargas.


Durante os enfrentamentos de 1930, sabe-se de seu destemor e engajamento na causa revolucionária. Lutou nos altos da Mantiqueira, na Serra do Pacau, combatendo as forças legalistas e socorrendo seus companheiros de batalha.


Mas seu sentimento de patriotismo já havia se manifestado anteriormente, pois em 1918 integrou a Missão Médico-Militar do Brasil na França, durante a 1ª Grande Guerra Mundial, ocupando o posto de 1º. Tenente. No continente europeu, mais especificamente em Paris, cuidou de muitas vítimas da guerra no Hospital  instalado na Rue Vaugirarde, onde hauriu conhecimentos técnicos de relevo que teve oportunidade de exercitar anos depois em Andrelândia.


Partida da Força Médico-Militar para a Europa durante a 1ª. Guerra Mundial. 
Dr. Diniz Rangel estava entre os médicos enviados.

Um fato de relevo ficou registrado a tal respeito. Na década de 1930 o Sr. Alvim dos Santos, residente em Bom Jardim, na região do Pacau, sofreu uma queda de trem e partiu as duas pernas. Levado à Santa Casa de Misericórdia de Andrelândia, Dr. Diniz Rangel comandou a complicada cirurgia, inclusive convocando o Dr. José Andrade Godinho, dentista, para usar o aparelho de obturações para perfurar os ossos do enfermo, que foram emendados e parafusados.  Depois de seis meses de repouso,  o paciente voltou a andar normalmente.

Casa onde morou o Dr. Diniz Rangel


Em nossa cidade o Dr. Rangel  era médico da Caixa de Assistência da Estrada de Ferro, clinicava na Santa Casa de Misericórdia e também possuía consultório em sua residência, situada na esquina da Rua Coronel José Bonifácio com a Rua Emílio Cardoso, ao lado da Praça Visconde de Arantes. A casa foi posteriormente vendida para o Maestro Mário Martins e, em seguida, para Walter Meirelles.

Receituário da Caixa de Aposentadoria dos Ferroviários - um dos mais antigos planos de saúde de Andrelândia

Dr. Rangel, como era conhecido, era pessoa de espírito elevado e se dedicava, de corpo e alma, à profissão, sem se importar com a remuneração de seus serviços.

Na Santa Casa de Misericórdia há um quadro com a fotografia dele, em agradecimento pela sua dedicação àquela instituição filantrópica. Também em sua homenagem, uma das ruas do Bairro São Dimas recebeu o seu nome.

O nosso personagem faleceu no Rio de Janeiro em 02 de janeiro de 1950, no Hospital Central do Exército,  e foi sepultado no Cemitério São Francisco Xavier. Era casado com Dona Marieta Barati e pai de Diniz Rangel Neto.

Obrigado, Dr. Diniz Rangel, por tudo o que fez pela Terra de André e sua gente !