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sábado, 12 de setembro de 2020

REVELAÇÕES SIMBÓLICAS SOBRE A MATRIZ DE ANDRELÂNDIA - PARTE IV - O SOLSTÍCIO

Em  1752, quando começaram as obras da Matriz de Andrelândia, o atual território urbano da cidade era apenas um campo ermo, circundado por fazendas e pontos distantes de extração de ouro, sobretudo às margens dos Rios Aiuruoca e Grande.

Matriz de Andrelândia

Logo, a igreja poderia ter sido construída em qualquer ponto e direção pois nada condicionava o seu posicionamento geográfico  naquele momento...

Contudo, os antigos Mestres Pedreiros responsáveis pela edificação não agiram ao acaso, pois queriam fazer do templo uma mensagem para aqueles que ainda estavam por chegar, valendo-se de seus conhecimentos e simbolismos multimilenares, herdados de antigas associações que velam pelo bem do planeta de forma discreta e silenciosa ao longo dos milênios, objetivando o lapidar da pedra bruta.

Cuidaram os antigos pedreiros livres de colocar na fachada da Igreja um óculo central, a única abertura frontal não utilitária (a exemplo da porta e janelas) existente no frontispício. E não foi sem razão...

Trata-se de óculo circular, cujo significado simbólico é de extrema profundidade e relevância.

Óculo dentado da Matriz

No seu interior (que poderia ser liso e sem detalhes) existem dentes que se assemelham aos de uma engrenagem de giro contínuo  ou às escamas de uma serpente que engole o próprio rabo, o famoso ouroboros, que é um símbolo de ciclos que se repetem em permanente  movimento  e representa o eterno retorno.

No centro do ouroboros, segundo os antigos ensinamentos, atravessa a luz do sol em ocasiões especialmente relevantes.


              O símbolo do Ouroboros, por onde atravessa a luz do sol

Por isso, além do envoltório em forma de escamas de cobra, o óculo possui a parte central vedada por vidro translúcido, a única abertura intencional (não utilitária à passagem humana) destinada à iluminação da Matriz em sua fachada.

Como já dito, tal elemento arquitetônico seria mero detalhe ou curiosidade não fosse o seu especial e alto significado simbólico.

Fazendo uso de modernos softwares de cálculos de geoposicionamento e orientação solar, descobrimos que a igreja Matriz de Andrelândia teve o seu eixo central (a partir do circumponto que mencionamos nos posts anteriores e que significa o sol e o próprio Cristo) orientado para determinada posição geográfica em dia específico do ano.

De acordo com as precisas simulações matemáticas feitas em computador, no dia 21 de junho de cada ano o sol, em seu nascedouro, transpõe o óculo central da igreja e direciona seus luminosos raios em direção ao altar-mor, onde estão o Sacrário com o Santíssimo e a padroeira Nossa Senhora do Porto. Em tal data, não por acaso, ocorre o solstício de inverno.


Demonstração da incidência em linha reta e de forma direta dos raios dos sol sobre o óculo da Matriz durante o seu nascimento no Solstício de Inverno

O solstício (do latim sol + sistere = não se mexe) refere-se ao momento em que o astro solar atinge maior declinação em latitude e aparenta estar parado. Em junho, representa a noite mais longa do período solar.

 

Representação da incidência direta dos raios do sol na Igreja Matriz no solstício de Inverno (linha vermelha à direita)

Por isso, segundo os antigos ensinamentos trata-se do momento de transição do mundo das longas sombras (o mal) para o surgimento da luz (o bem).

        A divina luz do sol passando pelo óculo central em direção ao interior da Matriz
 

Logo,  a Matriz de Andrelândia foi planejada para ser um local de mudança, de transição das sombras para a luz, sendo que esta última é representada pelo próprio Cristo, luz do mundo e sal da terra.


Detalhamento da incidência do sol na Matriz de Andrelândia durante o ano
 
Na antiguidade, as iniciações ritualísticas e religiosas eram feitas sempre no solstício de inverno, porque sendo o último dia de maior noite, significava a marca do início do ciclo de dias de luz cada vez maiores; significava ainda a saída do mundo dos mortos (a noite, a escuridão) e a entrada no mundo dos vivos (o dia, a luz).
 
Em razão de tudo isso a Matriz de Andrelândia, dedicada à milagrosa Nossa Senhora do Porto, não se resume a mera edificação antiga. 
 
Trata-se de templo  construído com base em valores áureos e simbologia singular.
 
Aqueles que nele ingressarem, se estiverem preparados, receberão as abençoadas  luzes  necessárias ao aperfeiçoamento íntimo e à continuidade da vida eterna.
 
Vida longa aos filhos da abençoada Terra de André ! 

Postagens anteriores sobre o tema:
 
http://terradeandre.blogspot.com/2020/08/simbolos-ocultos-na-igreja-matriz-de.html
 
http://terradeandre.blogspot.com/2020/09/revelacoes-simbolicas-sobre-matriz-de.html#comment-form



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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

NOVAS REVELAÇÕES SOBRE SÍMBOLOS OCULTOS NA IGREJA MATRIZ DE ANDRELÂNDIA – PARTE III

Como já esclarecemos anteriormente, os Mestres Pedreiros responsáveis pela construção da Igreja Matriz de Andrelândia tinham  pleno domínio de  técnicas, fórmulas e símbolos herdados da antiguidade que ficaram gravados no templo como  verdadeiras mensagens para o futuro.

Construída entre 1752 e 1755, a Matriz de Andrelândia guarda muitos segredos em sua arquitetura

 

Para além do circumponto e do cálice sagrado sobre os quais já escrevemos no post anterior, a igreja guarda muitos outros segredos que permaneceram ocultos ao longo dos séculos e que agora iremos revelar aos poucos.

Nada antigamente era construído ao acaso. Tudo obedecia a números e proporções que eram de domínio dos Mestres Pedreiros desde a mais remota antiguidade.

A fachada da Igreja Matriz de Andrelândia foi construída seguindo preceitos matemáticos sagrados relacionados à perfeição divina e que estão enunciados na Bíblia. Em Exôdo (25-10), lê-se: "Farão uma arca de madeira de acácia; seu comprimento será de dois côvados e meio, sua largura de um côvado e meio, e sua altura de um côvado e meio.  A divisão de 2,5 por 1,5 = 1,6.

Depois de mapear com precisão centimétrica cada um dos blocos de pedra existentes na fachada do templo, descobrimos  que os antigos construtores fizeram uso da  razão áurea,  também chamada de média áurea, proporção divina ou regra de ouro, cuja fórmula remete à perfeição, beleza e harmonia únicas.

Trata-se da mesma fórmula utilizada nas Pirâmides de Gizé, no Paternon Grego e no Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci.


 Demonstração da razão áurea nas proporções do Paternon

A proporção áurea pode ser obtida a partir de um segmento de reta em que "a" representa a parte maior deste segmento e "b" a parte menor. como na figura abaixo:

A soma de ambas, dividida pela parte maior será igual a parte maior dividida pela menor, de acordo com a seguinte fórmula:


ϕ=(a+b)a=ab

O resultado desta expressão é chamada de razão áurea, na qual é atribuída a constante fi (oriundo de Phídias), que resulta no chamado  número de ouro, cujo valor  é: 1,618.

 

Esse número é uma constante nas obras de Deus. A sequência aparece no DNA, no comportamento da refração da luz, dos átomos, nas vibrações sonoras, no crescimento das plantas, nas espirais das galáxias, nas ondas no oceano e mesmo  nas plantas  (a proporção em que aumenta o diâmetro das espirais de sementes de um girassol é a razão áurea, por exemplo).

 

A Proporção Áurea no Homem Vitruviano

Na Matriz de Andrelândia os antigos construtores deixaram um segmento da pilastra (cunhal) da esquerda (entre o primeiro e o terceiro blocos) com a representação expressa do número de ouro. Descobrimos a mensagem deixada pelos antigos depois de realizarmos o mapeamento dos blocos, cruzamentos geométricos e cálculos matemáticos conhecidos dos Mestres Pedreiros.

Trata-se da “Pedra Chave” ou “Bloco da Proporção” segundo ensinamentos milenares cultuados pelos antigos pedreiros e que nos revela a fórmula sagrada da qual se valeram para projetar e edificar o templo.
 
O cunhal, ou pilastra, com 83,9 cm de largura teve o segundo bloco dividido em duas partes, sendo a da esquerda com  51,9 cm e a da direita com 32,0 cm. 
 
De acordo com a fórmula deixada, a largura total  da pilastra (o todo) estava dividida em dois seguimentos  proporcionais entre si. Quando dividida pelo seguimento maior, o resultado era 1,61. O seguimento menor, a seu turno, multiplicado por 1,61 equivale ao seguimento maior. 
 
A Pedra Chave contendo a fórmula utilizada para a construção da Matriz de Andrelândia
 
Logo, a chave matemática da proporção da Igreja Matriz é, exatamente,  1,61 - o número de ouro ou a razão divina. 
 
A mesma fórmula da Arca da Aliança !
 
Ao transpormos tal proporção para a fachada original como um todo, verificamos que a largura entre os cunhais frontais, multiplicada por 1,61 equivale exatamente à altura do templo, levando-se em conta a cruz que encima e compõe o frontispício.
 
Proporção Áurea na Matriz de Andrelândia

 
 
De acordo com os antigos construtores, quando tais números fechavam entre si, como no templo que analisamos, estávamos diante de uma obra justa e perfeita, pois havia obediência às regras da proporção divina, ou razão áurea.
 
A extensão das linhas da proporção áurea na Igreja Matriz nos traz outra bela mensagem: o Pentagrama, também conhecido como Estrela da Perfeição,  que simboliza união, harmonia, equilíbrio, além de representar o sagrado e o divino.
 

 

No cristianismo, o Pentagrama é o símbolo da proteção contra os demônios  e remete às cinco chagas de Cristo, deixadas em suas mãos, pés e em seu abdomên, na exata proporção divina de 1,618.
 
O Pentagrama ou Estrela da Perfeição na Matriz
 

Desta forma, ingressar no interior da Matriz de Andrelândia simboliza a busca pelo desbaste da pedra bruta, a procura pela perfeição segundo os ensinamentos de Cristo, em local por ele protegido em nome de suas sagradas chagas simbolizadas pelo Pentagrama.

A construção que precisamos fazer agora não demanda as duras  pedras de outrora... O desafio dos dias de hoje é de cavar masmorras aos nossos vícios e imperfeições; de erguer o templo interno das virtudes.
 
A construção de hoje - espelhada nos símbolos que nos foram legados - deve ser executada em nosso próprio interior, buscando a reforma íntima sob a luz da doutrina do Divino Mestre, nosso guia e modelo, obrando com fé e exercitando a caridade, pois fora dela não há salvação.


“Não te conduzas como se fosses durar milhares de anos. Sobre ti paira o inevitável. Enquanto vives e podes, esforça-te por tornar-te homem de bem. ”
 
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